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Beija-Flor: Sapucaí recebe oferenda de axé e vira mar sagrado do Bembé!

Beija-Flor de Nilópolis Transforma Sapucaí em Altar e Oceano de Axé!

A Beija-Flor de Nilópolis não desfilou, ela navegou pela Marquês de Sapucaí, convertendo a avenida em um palco sagrado. Com uma apresentação que tocou a alma, a escola transformou o Sambódromo em um oceano de emoções, um altar de memória e um território vibrante de axé, prestando uma reverência profunda ao Bembé do Mercado.

Homenagem ao Bembé do Mercado: Um Grito de Fé e Resistência

O ápice da celebração veio com o último carro alegórico, que mais parecia um grande balaio flutuante, cruzando as águas imaginárias do Recôncavo Baiano. Seu propósito? Entregar à avenida o presente mais precioso: o sagrado do Bembé do Mercado. Intitulada "Um presente nilopolitano no mar da Sapucaí", a alegoria final foi um espetáculo à parte, materializando a travessia de uma cultura rica e resiliente.

Bembé do Mercado: Mais de um Século de Fé e Liberdade

Nascido há mais de um século em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, o Bembé do Mercado é muito mais que um ritual. Criado por João de Obá logo após a abolição formal da escravidão, ele ressignificou o 13 de maio. Longe de ser uma concessão do Estado, tornou-se um poderoso rito coletivo de louvor às divindades, com destaque para Iemanjá e Oxum. Foi o corpo negro reunido em celebração que construiu caminhos concretos de existência, pertencimento e continuidade, um verdadeiro grito de liberdade.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia e do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Bembé é aclamado como o maior candomblé de rua do mundo. Na Sapucaí, sua força ancestral ganhou uma dimensão de vitrine internacional, mostrando ao mundo a riqueza e a profundidade da cultura afro-brasileira.

A Grande Travessia: Simbolismo em Cada Detalhe

O carro final do desfile foi a materialização dessa travessia. Espelhado como água viva, ele era o próprio oceano que abriu a apresentação e, ao final, a acolheu de volta. No alto, as figuras majestosas de Iemanjá e Oxum giravam sobre o mar cenográfico, abençoadas pelo beijo simbólico de um beija-flor que costurava rios e mares, o Recôncavo e a Baixada Fluminense, a Bahia e Nilópolis. A alegoria era um espelho, um templo e um balaio, onde o povo depositava suas vitórias, dores, promessas e gratidão. O desfile se encerrou como começou: em oração.

Vozes da Emoção: O Impacto nos Componentes

Para quem desfilava, a responsabilidade ia muito além do espetáculo. Era uma vivência profunda:

Legado e Reconhecimento: Carnaval como Território da Memória Negra

Ao levar o Bembé do Mercado para a Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor reafirmou o Carnaval como um território legítimo da memória negra. A escola transformou a avenida em uma extensão simbólica do Largo do Mercado de Santo Amaro, fazendo da arte um gesto de devoção e do samba um herdeiro direto das matrizes africanas que estruturam o Brasil. Um desfile que ficará marcado na história pela sua beleza, profundidade e mensagem poderosa.

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