Em Cima da Hora Desafia Tabus com Comissão de Frente Inovadora para o Carnaval 2025
Prepare-se para uma experiência transformadora na Sapucaí! A Acadêmicos da Em Cima da Hora promete revolucionar o conceito de comissão de frente no Carnaval 2025 com uma proposta ousada e cheia de significado. Sob o enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!", a escola de Cavalcante apresenta o segmento "Sob a Proteção das Sete Catacumbas", que ressignifica um espaço tradicionalmente associado ao temor: o cemitério. Longe de ser um local de fim, ele é elevado a um território de força espiritual, transformação e, principalmente, poder feminino.
Cemitério: De Luto a Luta Feminina na Avenida
A grande sacada da Em Cima da Hora é subverter a percepção comum do cemitério. O coreógrafo Márcio Moura explica que a proposta central é mudar o olhar sobre esse espaço. "O cemitério não é um lugar de fim, é um espaço de passagem. Ele representa ciclo, despedida, continuidade da energia", revela Moura. Ele destaca que, nas religiões de matriz africana, muitos rituais acontecem próximos a esses locais por acreditarem em sua força espiritual. A comissão, assim, narra a jornada de mulheres que sofreram violência e foram silenciadas, buscando auxílio e empoderamento em uma entidade que habita esse território sagrado.
A Encenação que Transforma: Maria Padilha no Centro do Renascimento
A performance da Comissão de Frente da Em Cima da Hora é uma poderosa alegoria. Ela propõe um embate simbólico entre energias masculinas e femininas, culminando na manifestação soberana de Maria Padilha das Sete Catacumbas, guiada por Exu. O foco não é a morte, mas sim o renascimento e a superação. Márcio Moura enfatiza que o confronto coreográfico reflete uma realidade social: "A força masculina na coreografia simboliza transformação. Já chegou a hora do protagonismo feminino aparecer com clareza. Quando mulheres assumem seus espaços de poder, isso incomoda". Ele ressalta que a comissão é essencialmente feminina, com Exu presente para reverenciar e apoiar essas mulheres, não para confrontar.
Vozes por Trás da Força: Márcio Moura e Suellen Gonçalves
A mensagem da Umbanda e do culto às Pombagiras, segundo Márcio Moura, é um grito de resistência e força. "Quando falamos de Pombagira, falamos de sincretismo, de resistência e de força feminina. Elas são fundamentais no plano espiritual. São protagonistas dessa história e dessa festa", afirma o coreógrafo. A assistente de coreografia, Suellen Gonçalves, complementa, explicando que a construção cênica foi pensada para evidenciar o conflito estrutural entre homens e mulheres, um tema que, infelizmente, ecoa nas histórias de muitas Pombagiras. "A gente trabalhou o embate entre o masculino e o feminino porque, infelizmente, essa violência ainda é uma realidade. A comissão traz esse contexto para a Avenida, mostrando dor, mas principalmente superação", detalha Suellen.
Um Grito de Protagonismo e Resistência na Avenida
Ao transformar o cemitério em um palco de afirmação feminina, a Em Cima da Hora não entrega apenas um espetáculo coreográfico, mas um posicionamento forte e claro. O que antes era associado à escuridão se revela um território de proteção e soberania. Maria Padilha das Sete Catacumbas emerge não como uma figura temida, mas como um símbolo potente de autonomia e reorganização das forças. Sob sua presença, o conflito se dissolve e o feminino ocupa o centro. A mensagem é inconfundível: onde houve silenciamento, haverá voz; onde houve medo, haverá poder. Uma comissão que promete ser um dos grandes destaques do Carnaval 2025, convidando o público a uma profunda reflexão sobre empoderamento e resiliência.
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