Engenho da Rainha: Superando Desafios com Arte e Garra na Avenida!
A Acadêmicos do Engenho da Rainha trouxe para a avenida uma homenagem vibrante ao multifacetado artista "Santa Rosa – Negro, Moderno e Plural". O enredo mergulhou na vida de um criador que brilhou como pintor, designer, ilustrador, figurinista, cenógrafo e crítico de arte, celebrando sua genialidade e impacto cultural. A proposta destacou a multiplicidade de talentos de um homem que transitou por diversas linguagens e marcou seu tempo com criatividade e identidade. No entanto, a jornada da escola foi marcada por um início turbulento, testando a resiliência de seus componentes e o ânimo do público.
Um Início Conturbado: O Atraso que Mexeu com a Pista
O desfile da Engenho da Rainha enfrentou um grande obstáculo antes mesmo de começar: um atraso de mais de 40 minutos, causado por fatores externos à agremiação. A longa espera gerou frustração e descontentamento na plateia, com vaias e gritos ecoando na arquibancada. A escola pisou na pista por volta da 1h40 da manhã, sob um clima de tensão e com a necessidade de acelerar o passo para cumprir o tempo regulamentar. Esse cenário inicial, sem dúvida, impactou o ritmo e a harmonia dos primeiros momentos na passarela do samba.
A Arte em Movimento: Comissão de Frente e Casal
- Comissão de Frente: Com uma proposta simbólica e majoritariamente feminina, o grupo dispensou elementos alegóricos, utilizando o corpo e a expressão artística para defender o enredo. Figurinos que remetiam a tintas e pintura, um grande livro exibido no primeiro módulo de jurados (reforçando a ideia de memória e legado), e a presença de uma bailarina e um dançarino em vermelho (o único homem do corpo de balé) foram pontos altos, mesclando o clássico com o samba e representando as múltiplas formas de arte praticadas por Santa Rosa.
- Mestre-Sala e Porta-Bandeira (Léo Chocollat e Cris Soares): O primeiro casal demonstrou carisma e uma forte conexão com a comunidade. Com uma coreografia clássica e elegante, sem muita velocidade, eles souberam interagir com o público ao exaltar o "Morro do Engenho" sempre que o nome era mencionado, recebendo uma resposta calorosa. A porta-bandeira, em particular, brilhou com seu belo bailado, giros consistentes e manuseio firme do pavilhão, mantendo a serenidade e a entrega emocional mesmo diante do impacto do atraso.
Enredo e Evolução: A Mensagem na Avenida
O enredo "Santa Rosa – Negro, Moderno e Plural" foi o fio condutor de todo o desfile, buscando evidenciar a pluralidade do artista homenageado, contando uma história que muitas vezes fica distante dos holofotes. A narrativa foi clara e bem representada nas alas e carros, que ilustravam as diversas formas de arte exploradas por Santa Rosa, como dança, pintura e escrita. A escola conseguiu valorizar a trajetória e a contribuição cultural de um criador negro, moderno e à frente de seu tempo.
Apesar da clareza do enredo, a evolução da escola foi diretamente afetada pelo atraso. A tensão inicial resultou em um ritmo irregular e até discussões entre integrantes da harmonia enquanto aguardavam a liberação para desfilar. A bateria, em um momento de pressa, saiu antecipadamente do recuo. Contudo, a equipe de harmonia trabalhou intensamente para acelerar o andamento e garantir que a escola cruzasse a linha de chegada dentro dos 40 minutos e 58 segundos previstos, mostrando grande capacidade de adaptação e resiliência.
Samba, Canto e Visual: Detalhes da Apresentação
- Harmonia e Samba-Enredo: O canto dos componentes foi um dos pontos de atenção, mostrando-se irregular, com poucas alas cantando com a intensidade esperada. No entanto, o carro de som, liderado pela voz marcante do intérprete Chicão, foi um pilar fundamental, conduzindo a escola com firmeza e mantendo o samba pulsante e coeso na avenida, com o apoio de um conjunto vocal que incluía presença feminina. O samba-enredo, por sua vez, cumpriu seu papel narrativo, sendo fiel à proposta do enredo, apesar da baixa adesão coletiva ao canto.
- Fantasias e Alegorias: As fantasias apresentaram um design simples e funcional, com muitos figurinos em formato de vestidos ou bermudas, priorizando a praticidade. As baianas, com seus figurinos coloridos e criativos, foram um destaque positivo, adicionando vivacidade e presença visual ao conjunto. As alegorias, embora coerentes com a temática e de leitura clara, foram visualmente discretas, e o abre-alas enfrentou um problema técnico, entrando na avenida sem iluminação, o que prejudicou a primeira impressão visual junto ao público.
Resiliência Comunitária: O Espírito da Engenho da Rainha
Mesmo com os desafios enfrentados antes e durante o desfile, a Acadêmicos do Engenho da Rainha demonstrou a força de sua comunidade. A bateria apresentou um bom desenho sonoro, com instrumentos perceptíveis e equilibrados, com destaque para chocalho e agogô, sustentando o andamento mesmo nos momentos de maior tensão. A ala das passistas também chamou atenção pela entrega e desempenho. A escola, apesar dos percalços, defendeu sua proposta com garra e manteve sua identidade comunitária até o último minuto, mostrando que a paixão pelo samba é capaz de superar qualquer obstáculo e levar a mensagem à frente.
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