Independente da Praça da Bandeira: Um Desfile de Contrastes na Série Prata
A Independente da Praça da Bandeira encerrou os desfiles da Série Prata do Carnaval, e sua apresentação foi um verdadeiro estudo de contrastes. Enquanto alguns momentos brilharam com energia e beleza, outros deixaram a impressão de cansaço e falta de sincronia, criando uma experiência desigual para quem assistiu.
Um Início Atrasado, mas com Recuperação Inesperada
O desfile começou com um atraso de 4 minutos e 30 segundos devido a problemas técnicos no carro de som. Apesar do contratempo inicial, a escola surpreendeu ao concluir o percurso com apenas 1 minuto e 37 segundos de tempo estourado, um feito notável considerando as circunstâncias. No entanto, essa recuperação técnica não se refletiu totalmente na performance geral.
A Melancolia que Permaneceu
O enredo, "Sinfonia Poética: Daqueles que Não Se Deixaram Calar", pareceu não ter o impacto desejado. Muitos desfilantes demonstraram desânimo, e a comissão de frente, apesar do figurino inspirado em cultos afro-brasileiros, apresentou falhas e pouco entusiasmo na execução do tema, contrastando com a mensagem de superação da melancolia que o enredo propunha. Os buracos na formação da comissão de frente, apesar das tentativas de ajustes durante o desfile, foram um ponto negativo perceptível.
Momentos de Brilho e Outros de Desânimo
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, embora com fantasias impecáveis, apresentou falta de vigor na dança, contrastando com a energia do segundo casal, que se destacou pela alegria e carisma. A primeira ala, representando a Africanidade, apresentou cores vibrantes, mas não conseguiu transmitir a mesma energia da segunda ala, "Mãe África", formada pelas baianas, que se mostraram animadas e sincronizadas, sendo um dos pontos altos da apresentação. A ala "Chegada dos Congoleses" trouxe uma representação visualmente impactante, destacando a história do Reino do Congo e a diáspora africana, com figurinos em azul e dourado.
Evolução e Ritmo: Uma Dualidade
A evolução da escola sofreu com o atraso inicial e a aparente exaustão de alguns componentes. A bateria, entretanto, se destacou com um ritmo contagiante e sincronia impecável, contrastando com a energia irregular de algumas alas. O diretor de bateria, Josué Lourenço, certamente teve motivos para se orgulhar da performance de sua equipe.
Samba Repetitivo, mas com Dedicação
O samba-enredo, apesar de abordar temas importantes como as mazelas e alegrias do povo negro e sua religião, apresentou-se repetitivo em alguns trechos. A repetição, embora não tire o mérito da letra, pode ter prejudicado o impacto da performance vocal do intérprete, que, apesar de sua dedicação, não conseguiu evitar que a repetição tornasse a música um pouco cansativa. A paixão de Diego Nascimento pela escola e sua história, no entanto, foi evidente.
Destaques e Reflexões
Além do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira e da bateria, o carro alegórico "A Grande Chegada ao Novo Mundo do Povo Negro" mereceu destaque, ressignificando a história da escravidão e celebrando a contribuição do povo negro para a cultura brasileira. A apresentação da Independente da Praça da Bandeira deixa uma reflexão sobre a importância da energia e da sincronia em um desfile de Carnaval, e como a superação de desafios técnicos não garante, por si só, uma apresentação homogênea e impactante.
Em resumo: A Independente da Praça da Bandeira apresentou um desfile com momentos de brilho e outros de menor impacto, demonstrando a complexidade de uma apresentação carnavalesca e a importância de cada detalhe para o resultado final. A superação de problemas técnicos no início do desfile foi admirável, mas não conseguiu compensar a falta de energia em algumas alas e a repetitividade do samba-enredo.