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Beija-Flor: Baianas do samba celebram a força ancestral e a fé no Carnaval!

Beija-Flor: Baianas do samba celebram a força ancestral e a fé no Carnaval!

Beija-Flor de Nilópolis Brilha na Sapucaí com 'Bembé': Uma Celebração de Ancestralidade e Fé

A Beija-Flor de Nilópolis levou para a Marquês de Sapucaí um desfile que foi muito além do espetáculo, transformando a avenida em um verdadeiro altar de celebração da história e da fé. Com o enredo "Bembé", a Deusa da Passarela mergulhou fundo na ancestralidade do povo preto, homenageando as icônicas tias do samba e conectando a rica tradição do maior candomblé de rua do mundo ao seu próprio legado nilopolitano. Foi uma afirmação poderosa de identidade e resiliência, que tocou o coração de quem assistiu e reafirmou a importância da cultura afro-brasileira no Carnaval.

A Força do 'Bembé': Raízes e Significado

O enredo "Bembé" não foi apenas um tema, mas uma jornada profunda pelas raízes da cultura africana no Brasil. Ele explorou a conexão entre a comunidade nilopolitana e suas origens, trazendo à tona a importância do candomblé de rua e a figura central das tias do samba, guardiãs de saberes, tradições e da própria memória. A escola fez questão de ressaltar a travessia e a luta por liberdade, elementos intrínsecos à narrativa do Bembé do Mercado de Santo Amaro, na Bahia, e que ressoam na própria história da agremiação, que sempre defendeu a voz e a representatividade do povo preto.

Baianas Abrindo Caminhos: Um Gesto de Gratidão e Poder

Um dos momentos mais emocionantes e simbólicos do desfile foi a abertura, protagonizada pela majestosa ala das baianas. Em um gesto carregado de significado, elas foram as primeiras a pisar na avenida, representando um agradecimento e uma reverência a João de Obá, fundador do Bembé, que buscou as Yabás para celebrar sua liberdade e a de seu povo. Vestidas em branco, simbolizando purificação, com rendas delicadas, pombas da paz e detalhes dourados, as "Tias do Samba e a Força da Tradição" espalharam axé e uma energia contagiante por toda a Sapucaí, marcando o tom de um desfile que celebrava a fé e a resistência.

Vozes da Comunidade: Emoção e Representatividade na Avenida

A emoção era palpável entre os componentes, que sentiram na pele a força e a relevância do enredo. Luciula Amorim, aposentada de 60 anos e com cinco desfiles pela escola, expressou a profunda reconexão com a fé que o tema proporcionou: "A gente já entra com o pensamento de que vai dar tudo certo, que vai ser assim mesmo, a energia de todo mundo é muito boa", revelou, destacando a união e a esperança que permeavam a agremiação.

Angela Campos, uma veterana de 66 anos com duas décadas de Beija-Flor, viu na sua fantasia a união entre o sagrado e a alegria do maior espetáculo da Terra. Para ela, o enredo transformou a avenida em um verdadeiro território de fé: "Você se arrepia, o coração bate mais acelerado, é uma coisa que nem dá para descrever totalmente como é. Esse enredo une muito nossa cultura, a nossa raça e a nossa fé, porque sem fé você não vai a lugar nenhum", declarou, emocionada, sobre a experiência de desfilar com um tema tão significativo.

A professora Jane Aleixo, 37 anos, desfilando há quatro, sentiu-se profundamente honrada em representar as tias do samba, destacando a paz e a união que são características marcantes da comunidade nilopolitana. "É uma honra estar aqui representando essas mães que lá no passado fizeram com que os nossos antepassados pudessem ter lutado para que hoje nós, pessoas pretas, tenhamos tantos direitos", afirmou, ressaltando o legado de luta e conquista.

Valdea Gomes, técnica em enfermagem de 60 anos e três desfiles pela escola, ressaltou o orgulho de participar desse momento histórico para a agremiação e o respeito e carinho que recebe de toda a diretoria. "É uma festa em que nós comemoramos nossa ancestralidade. E, hoje, nós estamos abrindo espaço para os nossos ancestrais, para o nosso povo, estamos levando essa história para o povo preto", concluiu, enfatizando a importância de levar essa narrativa para o grande público.

Um Legado de Luta e Fé no Coração do Carnaval

O desfile da Beija-Flor de Nilópolis com o enredo "Bembé" foi, sem dúvida, uma poderosa declaração de identidade, resiliência e fé. A escola não apenas apresentou um espetáculo visualmente impactante, mas também transmitiu uma mensagem profunda de valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da luta contínua por direitos e reconhecimento. Com essa performance, a Beija-Flor consolidou seu papel não só como uma das grandes potências do Carnaval carioca, mas também como uma voz essencial na celebração e preservação da memória e da cultura do povo preto.

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