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Beija-Flor: O silêncio que virou grito de fé e resistência no Carnaval!

Beija-Flor: O silêncio que virou grito de fé e resistência no Carnaval!

Beija-Flor de Nilópolis: O Silêncio que Precedeu a Explosão de Fé na Sapucaí

Antes mesmo da tradicional explosão de cores, ritmos e alegria que caracteriza o Carnaval, a Beija-Flor de Nilópolis trouxe uma proposta inusitada e profundamente espiritual para a Marquês de Sapucaí. Em um momento de rara introspecção, a escola abriu seu desfile com um silêncio carregado de significado, transportando o público para uma jornada de fé e ancestralidade. O enredo, que já caía na boca do povo, ganhou uma dimensão ainda mais rica com essa abertura impactante.

Um Início Inesperado: A Espiritualidade em Destaque

A Deusa da Passarela surpreendeu ao iniciar sua apresentação com um monumental abre-alas intitulado "No silêncio que antecede o tambor". Esta alegoria não era apenas um carro alegórico, mas uma representação visual dos 16 dias de recolhimento e preparação espiritual que precedem o Bembé, um rito ancestral de grande importância. A escolha de começar com essa pausa reflexiva, antes que os tambores e o canto tomassem conta da avenida, sublinhou a profundidade da mensagem que a escola desejava transmitir. A cor branca, predominante no carro, simbolizava equilíbrio, paz e tranquilidade, reforçando a ideia de um período sagrado de purificação e introspecção.

Sapucaí: De Passarela a Terreiro Sagrado

Com essa abordagem, a Beija-Flor transformou a Marquês de Sapucaí em uma extensão de um terreiro, reafirmando-a como um espaço de manifestação da fé e de resistência cultural. Não era apenas um desfile, mas um rito coletivo, celebrando a rica cultura afro-brasileira e suas tradições. A iniciativa da escola de Nilópolis não só enriqueceu a experiência do público, mas também reforçou a dimensão cultural e social do Carnaval, utilizando a maior passarela do samba para promover uma mensagem de respeito, memória histórica e espiritualidade.

Vozes da Avenida: A Emoção dos Componentes

Os participantes do desfile compartilharam a intensidade desse momento. Hércules Cruz, de 25 anos, destaque no abre-alas, comentou que, apesar da proposta de introspecção, o sentimento era de pura celebração. "É um enorme sentimento de celebração, de pureza, uma alegria que vem de dentro para fora. Para mim, a cor branca representa a suavidade, as águas limpas, o céu claro, o novo dia que está para raiar, a nova chance de batalhar para o novo dia e tudo de mais incrível desse mundo", disse ele, enfatizando a importância de tornar a Sapucaí um palco para o rito do Bembé, uma força ancestral que precisa ser conhecida. Isis Cristine, de 40 anos, assistente de design e candomblecista há 26 anos, viu o desfile como uma poderosa afirmação do sagrado e da ancestralidade. "É valorizar quem veio antes de nós. Sem a ancestralidade, sem os nossos antepassados, nossos avós, bisavós, pais, nós não estaríamos aqui. Exaltá-los é uma forma de agradecer a luta deles, porque foi mais difícil para eles. Nós chegamos em uma fase mais tranquila da manifestação da nossa religiosidade, entre aspas. Ainda falta muito para conquistarmos a totalidade e a reparação histórica de uma forma geral. Mas eles passaram muito mais preconceito, muito mais discriminação, muito mais rejeição do que nós. Estar aqui nessa celebração significa resistência", pontuou, destacando a luta contínua pela liberdade religiosa. Juan de Castro, professor de 31 anos e morador de Nilópolis, expressou sentimentos múltiplos: "Me remete tanto à celebração quanto à tranquilidade, leveza, calma, ao início de tudo. Como abre-alas, estamos abrindo da melhor forma possível. Mesmo representando tranquilidade, vamos levantar a poeira e dar o nosso nome aí na avenida". Tchelsea Barbosa, estudante e empresária de 18 anos, que desfilava pela primeira vez na azul e branca, resumiu o impacto: "Eu vejo a celebração junto com a paz. Nem tudo que é animado precisa ser caos. O Carnaval é felicidade, é emoção e tranquilidade também, afinal, nada melhor do que curtir de forma leve".

Mensagem de Resistência e Celebração

O empresário Gabriel Souza, de 25 anos, fez um apelo crucial, resumindo o sentimento geral: "Temos que estar sempre celebrando, para que não haja intolerância. É magnífico estar desfilando em um carro tão importante quanto esse". A Beija-Flor, com sua ousadia e sensibilidade, não apenas entregou um espetáculo visual e sonoro, mas também uma profunda reflexão sobre a fé, a história e a resistência de um povo. O "silêncio que antecede o tambor" foi, na verdade, um grito poderoso de identidade e celebração, reafirmando que o Carnaval é muito mais do que apenas folia; é um palco para a cultura, a história e a espiritualidade. A escola de Nilópolis mais uma vez demonstrou sua capacidade de inovar e emocionar, ao mesmo tempo em que educa e provoca reflexão sobre temas profundos da cultura brasileira. A representação dos 16 dias de recolhimento antes do Bembé, um período de introspecção e preparação, foi um toque poético que contrastou com a energia vibrante que se seguiria, criando uma narrativa rica e envolvente para o público presente e para aqueles que acompanhavam a transmissão. A escolha da cor branca, símbolo universal de paz e pureza, foi um elemento visual poderoso que comunicou instantaneamente a essência do tema, convidando todos a uma pausa reflexiva antes da explosão de cores e ritmos que caracterizam o espetáculo. A transformação da Sapucaí em um terreiro simbólico sublinhou a profunda conexão entre o samba e as raízes religiosas e culturais do Brasil, celebrando a identidade e a resiliência de um povo. A mensagem da Beija-Flor foi clara: o respeito à ancestralidade e à diversidade religiosa é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. #BeijaFlor #Carnaval2024 #Sapucaí #Espiritualidade #Bembé #Ancestralidade #SambaEnredo #Resistência

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