Carnaval: Empreender no Samba, Valorizar Mulheres e Manter a Ancestralidade Viva!
CONASAMBA 2026: O Futuro do Carnaval em Debate Aberto!
O palco da Fábrica do Samba, em São Paulo, ferveu com ideias e discussões durante o segundo dia do Congresso Nacional das Escolas de Samba (CONASAMBA) 2026. Profissionais, artistas e empreendedores do Carnaval brasileiro se reuniram para um bate-papo franco e plural sobre os desafios e as oportunidades que movem o universo da folia, que para muitos, é puro trabalho e paixão, e que moldam o futuro do Carnaval.
Empreendedorismo Feminino e a Força das Mulheres Sambistas
Comandando a abertura, Vanessa Alves, musa da União de Maricá e nutricionista, trouxe à tona a importância do empreendedorismo feminino, do autocuidado e do resgate da autoestima. Sua defesa foi incisiva: é hora de valorizar as mulheres sambistas! Vanessa propôs que o "samba" de musas, madrinhas e rainhas se torne um quesito de avaliação nos desfiles. A ideia é profissionalizar essas figuras, exigindo conhecimento da história, ancestralidade e dança do Carnaval, garantindo que os espaços sejam ocupados por quem realmente vive e respira a cultura. "A gente pode fazer com que as escolas de samba valorizem essas meninas, as musas. A partir daí, se for exigido que seja quesito, a gente não vai ter mulheres que não são da nossa arte usurpando lugares de meninas da comunidade", destacou ela, questionando também a falta de remuneração para as passistas.
Escolas de Samba: Quilombos Urbanos e Fábricas de Cidadania
Na sequência, o cantor e compositor Sandro Ferraz, com uma década de vitórias no carnaval gaúcho, emocionou ao descrever as escolas de samba como os "quilombos urbanos" de hoje. Para ele, são locais de acolhimento, aprendizado e discussão de temas sociais urgentes, como a drogadição e a gravidez precoce. Um verdadeiro berço de caráter e valores. Sandro foi além, sugerindo que as agremiações capacitem pessoas para a captação de recursos, ampliando suas possibilidades de sustentabilidade e impacto social. Afinal, a cultura também precisa de apoio financeiro para florescer.
Quebrando Estigmas: O Carnaval como Profissão e Política Pública
O carnavalesco e enredista mineiro Felipe Diniz trouxe para o debate a persistência do preconceito que ainda ronda os profissionais do Carnaval. Ele compartilhou as dificuldades, como a liberação de verbas a poucos dias dos desfiles, e defendeu o reconhecimento da folia como cidadania, trabalho e política pública. "É importante esse reconhecimento. Esse empreendedorismo carnavalesco. Não só para a gente, mas para o Carnaval como um todo. É a nossa ancestralidade. (...) O nosso produto tem que ser respeitado. As nossas profissões têm que ser respeitadas", afirmou Felipe, ressaltando a luta contra o estigma, especialmente em cidades onde o Carnaval tem porte médio.
Preservar a Memória: O Passado que Impulsiona o Futuro
Rubens Gordinho, compositor da Baixada Santista, fez um apelo contundente: a importância de preservar a memória e a história do Carnaval e de seus construtores. Para ele, o futuro não pode se dar ao luxo de esquecer o passado, especialmente os tempos mais desafiadores e de perseguição que os sambistas enfrentaram. É preciso "empreender na preservação dessa história, para não acontecer um apagamento", enfatizou, conectando a inovação com a valorização das raízes.
Captação de Recursos: O "Décimo Quesito" do Carnaval
Fechando o painel com uma visão mais pragmática, o empresário Renato Cândido comparou a captação de recursos a um "décimo quesito" crucial para o sucesso do Carnaval. Ele defendeu a formação de profissionais de captação dentro das próprias comunidades. Quem melhor para falar da escola do que alguém que conhece sua essência, suas cores e sua gente? "O cliente está do nosso lado. O cliente é a padaria que conhece sua mãe, seu pai e você. (...) Isso é captação de recurso", explicou Renato, sublinhando que a profissionalização nessa área é vital para que a cultura, que também é um produto, aconteça e cresça de forma sustentável. O debate ainda contou com a participação de Sandro Santos, coordenador-geral do Sistema Nacional de Cultura (MinC), que detalhou a descentralização dos recursos via Política Nacional Aldir Blanc, reforçando a necessidade de diálogo entre os níveis federal, estadual e municipal para uma gestão cultural eficiente. Este encontro no CONASAMBA 2026 reafirmou a complexidade e a riqueza do universo carnavalesco, apontando caminhos para um futuro mais próspero e valorizado.
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