Carnaval: Unidos da Ponte Faz a Sapucaí Virar Baile Funk Ancestral!
Unidos da Ponte Brilha ao Amanhecer: Funk, Ancestralidade e o Poder do Tamborzão na Sapucaí!
A Unidos da Ponte encerrou o Carnaval da Série Ouro de 2024 de um jeito inesquecível, sendo a única escola a desfilar integralmente sob a luz do dia. Apesar do desafio de ter os efeitos de luz e fogo ofuscados pelo sol, a Azul e Branca de São João de Meriti entregou uma proposta leve, cheia de alto astral, que soube explorar com maestria a rica conexão entre o funk e a ancestralidade. O enredo "Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black" transformou a Sapucaí em um território vibrante de memória, identidade e afirmação cultural, celebrando o funk como herança, linguagem política e elo comunitário.
O desfile foi inteligentemente dividido em três momentos marcantes: "O Anoitecer", que retratou a cidade se transformando em palco para o baile com toda a energia sagrada dos ancestrais; o segundo setor, que mergulhou nos estilos predominantes dos bailes negros do Rio e da Baixada Fluminense, mostrando a coexistência de tempos; e o setor final, que simbolizou a festa que continua, mesmo após o amanhecer, com a reverberação da Black Rio dos anos 80 e a ascensão do funk carioca.
O carnavalesco Nícolas Gonçalves, um talento da nova geração, demonstrou uma criatividade notável. Ele teceu uma narrativa popular, misturando de forma pertinente a cultura atual com as raízes ancestrais, trazendo uma leveza contagiante para a Avenida. Sua visão garantiu que uma mensagem de alto astral permeasse todo o desfile, gerando uma interação intensa e positiva com o público.
Nos quesitos de pista, a Unidos da Ponte se destacou. A comissão de frente, coreografada por Juliana Frathane, representou com eficácia a conexão ancestral da musicalidade negra, utilizando símbolos africanos e contemporâneos. Mesmo com os efeitos de luz limitados pelo dia, a apresentação foi fluida e bem executada. O mestre-sala Thiaguinho Mendonça e a porta-bandeira Jéssica Ferreira, que encarnaram as majestades do black, mostraram grande desenvoltura, incorporando "passinhos" de funk em sua coreografia, embora a intensidade de Jéssica tenha sido um pouco menor que a de Thiaguinho em alguns momentos.
A evolução da escola foi correta e fluida, sem correr riscos ou apresentar buracos, permitindo que os desfilantes passassem com alegria e interagissem calorosamente com a plateia. A harmonia foi um dos pontos altos, com o carro de som comandado por Thiago Britto e Matheus Gaúcho fazendo um trabalho excepcional. Eles conseguiram transformar um samba-enredo que, liricamente e metricamente, não estava entre os mais fortes do grupo, em uma obra envolvente e participativa, impulsionada pelo canto forte da comunidade. A bateria "Ritmo Meritiense", sob a batuta dos mestres Alex Vieira e Juninho, trouxe a figura do MC, conectando os mestres de cerimônia modernos aos tradicionais griôs africanos.
Visualmente, Nícolas Gonçalves utilizou o número máximo de alegorias. Embora os carros talvez não tivessem o mesmo nível de volumetria ou qualidade de materiais de algumas concorrentes, o carnavalesco compensou com criatividade, contextualizando as alegorias de forma orgânica ao enredo. O abre-alas, por exemplo, uniu estéticas africanas, futuristas e psicodélicas para simbolizar a musicalidade negra através dos séculos. As fantasias, mesmo sem materiais de altíssima qualidade, foram criativamente desenhadas por Nícolas, "carnavalizando" o universo do funk com cores vibrantes e tons cítricos que brilharam sob o sol. Pequenos detalhes, como elementos caídos ou chapéus ausentes em algumas alas, foram observados, mas não comprometeram a visão geral.
Em suma, a Unidos da Ponte entregou um desfile positivo e vibrante, demonstrando resiliência e criatividade ao transmitir sua poderosa mensagem de afirmação cultural e o espírito duradouro do funk e da ancestralidade. O presidente Tião Pinheiro reforçou o compromisso da escola com a valorização da cultura popular, e o ritmo do "tamborzão" ressoou, deixando a Avenida com um clima de festa que se estendeu até o amanhecer.
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