Curicica: Arlindo Oliveira emociona, mas falhas no desfile podem tirar pontos!
União do Parque Curicica Emociona na Intendente com Homenagem a Arlindo Oliveira!
A União do Parque Curicica, atual campeã da Série Bronze e recém-chegada à Série Prata, fez bonito na Intendente Magalhães! Com o enredo "As Viagens de Arlindo – Minha Loucura é Ser Artista", a escola mergulhou no legado do artista plástico Arlindo Oliveira, falecido em 2024, transformando sua história em um vibrante manifesto pela luta antimanicomial. Uma celebração da arte, da perseverança e da identidade, que tocou o coração do público.
A Arte de Arlindo na Avenida: Da Comissão de Frente às Alegorias
A apresentação começou com a energia contagiante da Comissão de Frente, coreografada por Aline Kelly. Simples, mas cheia de significado, a dança trouxe malas que se abriam para formar a palavra "Curicica", e a figura de Arlindo como um palhaço, espalhando sua paixão pela arte. A transformação dos componentes em palhaços simbolizou a frase "Minha loucura é ser artista", criando um verdadeiro carnaval de emoções. Contudo, a abertura involuntária de alguns objetos cenográficos pode ter impactado a harmonia visual.
O Mestre-Sala Marvyn Souza e a Porta-Bandeira Marcela Tavares, de volta à tricolor de Jacarepaguá, brilharam com uma coreografia limpa e segura. Suas fantasias em branco e prata garantiram mobilidade e fluidez, transmitindo a empolgação do samba para toda a avenida.
O Enredo, assinado por Gleydson Castro, Bráulio Malheiro e Gamba Jr., professor da PUC-Rio que conhecia Arlindo, narrou a jornada do artista desde sua infância na antiga Colônia Juliano Moreira – e a influência de Bispo do Rosário – até sua consagração em Curicica e as obras do Ateliê Gaia.
Desafios e a Força do Samba
Apesar da emoção, a escola enfrentou alguns percalços. A Evolução, que terminou dentro do tempo limite (39 minutos e 4 segundos), apresentou um espaçamento visível em frente à quarta cabine de jurados, o que pode comprometer a pontuação. Na Harmonia, o intérprete Bruno Nascimento conduziu o carro de som com maestria, levando a comunidade a entoar com força o verso "Bairro dos loucos / Você sabe onde fica: Curicica". A animação era palpável, mas a manutenção do mesmo tom em todos os versos poderia ter sido mais consistente.
O Samba-Enredo, de Dudu Nobre, Victor Rangel, Dinho PQD, Jonathan Tenório e Renne, foi um dos pontos altos. A canção, agradável e envolvente, celebrou a relação de Arlindo com a arte e a Colônia, sua luta contra a estigmatização das doenças mentais e a identidade de Curicica como o "bairro dos loucos".
Detalhes que Encantaram
- Fantasias: Ricas em referências à história de Arlindo, como a lenda do Boi de Curicica, e personagens da luta antimanicomial, como Dona Ivone Lara na ala das baianas. Bem trabalhadas, apesar de algumas fragilidades no acabamento das fantasias de "palhaços".
- Alegorias: Impactantes! A primeira alegoria explorou a mente e a genialidade artística de Arlindo, com destaque para sua obra "BOPE". O último carro celebrou o artista e o centenário da Colônia, reforçando a importância de eternizar memórias.
- Bateria: Sob o comando do Mestre Yan Pac Man, a bateria fez um trabalho espetacular, com bossas que valorizavam o samba e total sintonia com o intérprete.
- Velha Guarda: Em perfeita harmonia com o enredo, demonstrou grande simpatia e emocionou o público.
A União do Parque Curicica não apenas desfilou; ela contou uma história de superação e arte, reafirmando seu lugar na Série Prata e deixando uma mensagem poderosa sobre a importância de abraçar a "loucura" de ser artista. Um desfile para se guardar na memória!
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