Em Cima da Hora: Pombagira no Carnaval vira manifesto contra intolerância!
Em Cima da Hora Brilha na Avenida com Manifesto Contra a Intolerância Religiosa!
O Sábado de Carnaval foi palco de um desfile marcante da Acadêmicos da Em Cima da Hora, escola do bairro de Cavalcanti, que levou para a Sapucaí uma mensagem poderosa. Com o enredo "Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagira!", idealizado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, a agremiação prestou uma emocionante homenagem às Pombagiras, celebrando a força e o poder feminino e, acima de tudo, combatendo o preconceito religioso.
A Alegoria que Virou Símbolo: Pombagira na "Pietà"
O ponto alto da apresentação foi a última alegoria, que se transformou em um verdadeiro manifesto visual. A Em Cima da Hora ousou ao apresentar uma releitura impactante da clássica obra "Pietà", de Michelangelo. Na versão da escola, a figura da Virgem Maria foi substituída pela Pombagira, que, com sua postura acolhedora e protetora, amparava seus filhos. Essa representação não apenas ressaltou o papel fundamental da entidade nas religiões afro-brasileiras, mas também teve o objetivo claro de desconstruir estigmas e visões preconceituosas frequentemente associados a essas crenças.
Vozes da Avenida: Integrantes Compartilham a Mensagem
A força do enredo ecoou nas palavras dos próprios componentes da escola, que sentiram na pele a importância de levar essa mensagem ao público:
- O veterano Paulo César, 57 anos, que desfila há 8 anos, representou um mensageiro da paz na alegoria. Devoto de Oxalá, ele enfatizou a urgência de combater o preconceito: "É racismo, é guerra, é intolerância religiosa. Tem que acabar! A gente precisa de paz, a violência está muito grande."
- O pai de santo e advogado Fernando de Oxóssi, 50 anos, membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-RJ, foi convidado para a alegoria e destacou que o carro transmite respeito a todas as religiões, alertando para o aumento dos ataques a terreiros.
- A professora Tatiane dos Santos, 41 anos, com 11 desfiles pela escola, interpretou a alegoria como uma reafirmação da ancestralidade do povo preto. Para ela, o Carnaval, com suas raízes nos terreiros, é uma plataforma essencial para combater a intolerância e mostrar a verdadeira cultura.
- O técnico de enfermagem João Victor Proença, 24 anos, sentiu uma energia única com o enredo, que ele vê como uma homenagem aos seus ancestrais. Ele reforçou que o Carnaval é a festa "do pobre, do preto, do macumbeiro, do favelado", um espaço para as minorias mostrarem sua força.
- Em seu primeiro desfile, a mãe de santo e agente funerária Viviane Rosa, 42 anos, enxergou na Em Cima da Hora uma oportunidade de esclarecer e divulgar a religião para o mundo, promovendo a cultura afro-brasileira e incentivando a união inter-religiosa.
A Em Cima da Hora não apenas desfilou, mas educou, provocou reflexão e reforçou a luta por um Carnaval e uma sociedade mais inclusivos e respeitosos, mostrando que a cultura popular é um poderoso palco para debates sociais cruciais.
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