Em Cima da Hora: Pombagiras na Sapucaí! Samba arrasou, mas a escola "travou"?
Em Cima da Hora: Um Desfile de Contraste na Série Ouro 2024
A Em Cima da Hora pisou na Marquês de Sapucaí no Carnaval 2024 com um enredo poderoso, "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras", uma verdadeira ode à força feminina, à resistência e ao empoderamento. O início foi arrebatador, prometendo um espetáculo para a história, mas o percurso guardava desafios que testaram a garra da agremiação de Cavalcanti.
O Brilho que Encantou a Avenida
Comissão de Frente: Um Espetáculo de Narrativa e Dança
Coreografada por Márcio Moura, a comissão de frente foi um dos grandes destaques. Com uma performance que mesclou embate humano e a mística das Pombagiras, o grupo transportou o público para um cemitério cenográfico, onde a Rainha das Sete Catacumbas e Exu surgiam para estabilizar a tensão. Os figurinos, a expressividade dos bailarinos e a clareza da história contada foram aplaudidos, mostrando um trabalho primoroso e envolvente.
Samba-Enredo: A Voz que Incendiou a Sapucaí
Composto por uma constelação de talentos, o samba-enredo foi, sem dúvida, a alma do desfile. Considerado uma das melhores obras da Série Ouro, sua melodia popular e letras carregadas de referências afro-brasileiras conquistaram a Sapucaí. Refrões como "Abre a roda" se tornaram um hino, com a interação entre os intérpretes Igor Pitta e Carlos Junior e o público atingindo picos de pura emoção e vibração.
Fantasias: Um Banho de Cores e Detalhes
O carnavalesco Rodrigo Almeida entregou um conjunto de fantasias de encher os olhos. Desde a primeira ala, "Estende um tapete de rosas para ela passar", com seu luxo em vermelho, preto e dourado, até as baianas vibrantes e a ala "Na boca de quem não presta ela é vagabunda", que combinava branco e tons sutis de rosa com maquiagem impecável. A qualidade dos materiais e a harmonia das cores em cada setor foram notáveis, evidenciando um cuidado estético de alto nível.
Os Desafios da Pista e a Corrida Contra o Tempo
Evolução e Harmonia: Obstáculos no Caminho
Apesar do início promissor, a Em Cima da Hora enfrentou sérios percalços na evolução. Problemas com a segunda alegoria, que demorou a entrar e se movimentar na pista, causaram um grande buraco no primeiro módulo de julgamento. A escola precisou correr do meio para o final para compensar o tempo perdido, o que comprometeu a espontaneidade e a alegria dos componentes. Essa aceleração impactou diretamente a harmonia, com o canto da comunidade, que começou forte, diminuindo de intensidade na parte final do desfile.
Alegorias: Altos e Baixos na Plástica
O conjunto alegórico apresentou um contraste. O abre-alas, que representava o poder e a realeza da Pombagira com uma imponente carruagem e a escultura de Maria Padilha, foi um primor de plástica. Contudo, as alegorias seguintes mostraram uma queda no apuro estético. A segunda, "O Reino da Quimbanda", e o último carro, "Ela é Resistência Contra a Intolerância", embora temáticos e com mensagens importantes (como o protesto contra a intolerância religiosa e a releitura da Pietà), tiveram composições sem fantasia no alto, o que afetou a qualidade visual geral.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Bailado com Potencial
O primeiro casal, Marlon Flores e Winnie Lopes, desfilou com a belíssima fantasia "Os Reis da Encruza", em tons de vermelho vibrante. A performance, que mesclou o bailado clássico com passos de dança de matriz africana, foi correta, mas poderia ter apresentado maior intensidade e energia para acompanhar a força do samba-enredo.
Uma Mensagem Final de Empoderamento
Mesmo com os desafios enfrentados na pista, a Em Cima da Hora entregou um desfile com um enredo relevante e necessário, reforçando a importância do empoderamento feminino e levantando um grito potente contra a intolerância religiosa. Em 55 minutos, a escola deixou sua marca na Série Ouro, mostrando garra e uma mensagem que ecoou pela Sapucaí.
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