Grande Rio: Manguebeat na Sapucaí! O que ninguém viu e deu errado no desfile!
Grande Rio em 2024: 'A Nação do Mangue' Encanta, Mas Enfrenta Desafios na Sapucaí!
A Acadêmicos do Grande Rio trouxe para a Marquês de Sapucaí um enredo de profunda reflexão e impacto visual no Carnaval 2024: "A Nação do Mangue". Assinado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga, o tema transformou o manguezal em uma metáfora potente de origem, resistência e revolução cultural. Inspirada no movimento Manguebeat e nas ideias de Chico Science e Josué de Castro, a escola de Caxias prometeu e entregou um espetáculo visualmente marcante, mas a execução em alguns quesitos técnicos apresentou oscilações notáveis, alternando momentos de grande impacto com outros de rendimento mais morno. A percepção geral foi de um desfile que, apesar de sua beleza plástica e mensagem forte, não alcançou o ápice de energia esperado em todos os momentos.
A proposta da Grande Rio era ambiciosa, dialogando com a densidade política e a potência simbólica do mangue. A escola explorou essa narrativa com alegorias e fantasias que mantiveram sua assinatura plástica, utilizando detalhes vazados, palhas, texturas orgânicas e um uso expressivo de iluminação, especialmente LEDs integrados aos figurinos. Esse visual dialogou diretamente com a proposta de um mangue ancestral e uma cidade conectada por parabólicas simbólicas. Contudo, a imponência de algumas fantasias pode ter se tornado um peso, influenciando tanto a evolução quanto o desempenho de alas específicas. Falhas no acabamento, como a exposição de ferragens e avarias na estrutura da segunda alegoria, também foram notadas, comprometendo a leitura estética em determinados ângulos.
A Comissão de Frente, coreografada por Beth Bejani e Hélio Bejani, foi um dos pontos altos em termos de teatralidade. Com um grupo numeroso, a coreografia inicial com bailarinos no chão em tons alaranjados, remetendo ao trabalho no manguezal, foi impactante. Quatro grandes tripés em forma de caranguejos cercavam o corpo de baile, que realizava movimentos circulares, simbolizando o pulsar do ecossistema. A transformação dos figurinos sob luz cênica, com efeito neon revelando detalhes orgânicos inspirados nas raízes do mangue, foi um show à parte. Infelizmente, um problema técnico na ativação da luz cênica no tripé que representava Nanã acabou mergulhando a imagem na escuridão, prejudicando o impacto visual planejado.
O quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, com Taciana Couto e Daniel Werneck, apresentou o "Bailado Nupcial dos Mangues", inspirado em "Homens e Caranguejos". Os figurinos roxos, associados a Nanã, e os movimentos que simulavam o entrelaçamento das raízes e a fecundação simbólica, foram bem concebidos. No entanto, a apresentação começou com um pequeno susto: Taciana enfrentou dificuldades com a bandeira nos primeiros segundos, com um erro no primeiro movimento e demora para desdobrar o pavilhão. A dupla, porém, conseguiu recuperar a concentração e concluiu a exibição com sincronia e conexão, cumprindo o restante da performance de forma satisfatória.
Na Harmonia, a escola demonstrou boa resposta de canto nos setores iniciais, impulsionada pela potência vocal e segurança do intérprete Evandro Malandro, que conduziu a obra com maestria. A bateria de Mestre Fafá, por sua vez, realizou um trabalho consistente, com bossas bem distribuídas que evitaram a monotonia rítmica e mantiveram o andamento firme. Apesar disso, a harmonia não se manteve uniforme em todo o desfile, com alguns trechos onde os componentes cantaram com menor intensidade. A ala de passistas, por exemplo, sambou pouco, aparentemente limitada pela estrutura de suas fantasias, que exigiam sustentação manual e comprometiam a fluidez do samba no pé. A energia pareceu aumentar no último setor, mas a sensação geral foi de um desfile que não atingiu o ápice de empolgação esperado em sua totalidade.
A Evolução transcorreu sem grandes atropelos ou buracos visíveis, o que é um ponto positivo, mas também sem a explosão e o dinamismo que se espera de uma escola de ponta. Em alguns momentos, observou-se componentes caminhando em vez de desfilarem com a intensidade do samba, o que impactou a leitura estética do conjunto. A partir do segundo setor, houve uma queda no rendimento e a apresentação perdeu pulsação, reforçando a percepção de uma diminuição da temperatura do desfile.
Entre os outros destaques, a velha guarda desfilou no chão, vestindo as cores tradicionais da escola com elegância e senso de pertencimento ao cortejo. Já a rainha de bateria, Virgínia Fonseca, em sua estreia, atraiu olhares, mas pareceu enfrentar dificuldades com a fantasia e quase não sambou durante a passagem. Em suma, a Grande Rio trouxe um enredo instigante e visualmente rico, mas a execução técnica apresentou desafios que podem ter custado pontos importantes na busca pelo título do Carnaval 2024.
Pontos Chave do Desfile da Grande Rio:
- Enredo "A Nação do Mangue": Uma metáfora potente de origem, resistência e revolução cultural, inspirada no Manguebeat, Chico Science e Josué de Castro.
- Comissão de Frente: Teatralidade e transformação de figurinos com efeito neon foram destaques, apesar de um problema técnico com a iluminação de Nanã.
- Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Bailado nupcial bem concebido, mas com um susto inicial na apresentação da bandeira.
- Harmonia e Bateria: Intérprete Evandro Malandro e Mestre Fafá garantiram a força do samba, mas a intensidade do canto oscilou em algumas alas.
- Evolução: Sem grandes falhas, mas faltou a "explosão" e o dinamismo esperados, com alguns componentes caminhando.
- Alegorias e Fantasias: Visualmente impactantes, com a assinatura plástica da escola, mas com possíveis problemas de peso e acabamento em algumas estruturas.
- Destaques: A elegância da Velha Guarda e a estreia da rainha de bateria Virgínia Fonseca, que enfrentou desafios com a fantasia.