Imperatriz: Ney Matogrosso e a ala que fez o Carnaval gritar liberdade!
Imperatriz Leopoldinense: Um Grito de Liberdade e Diversidade na Sapucaí com Ney Matogrosso!
A Marquês de Sapucaí foi palco de uma explosão de cores, irreverência e, acima de tudo, liberdade, com a Imperatriz Leopoldinense prestando uma emocionante homenagem ao ícone Ney Matogrosso. A ala 22, batizada de "Bota pra ferver (Eu quero é botar meu bloco na rua)", transformou o desfile em um verdadeiro manifesto de expressão e pertencimento, celebrando a trajetória camaleônica do artista.
A Celebração na Avenida: Performances e Personagens
Com diferentes performances e caracterizações que remetiam às múltiplas fases de Ney, a ala 22 uniu estilos próprios sob a bandeira da defesa da liberdade estética e corporal. Não foi apenas um desfile, mas uma festa popular que convidou todos a serem quem realmente são, sem amarras ou preconceitos. A criatividade do carnavalesco Leandro Vieira mais uma vez se fez presente, ressignificando a memória artística em uma celebração coletiva da diversidade.
Vozes da Liberdade: O que os Foliões Sentiram
Os integrantes da ala não apenas vestiram fantasias, mas encarnaram o espírito de Ney Matogrosso e a mensagem de liberdade, compartilhando suas experiências:
- Rodrigo Madeira, 35 anos, gerente: Desfilando pela primeira vez na Imperatriz, Rodrigo foi motivado pela homenagem. Sua fantasia, inspirada em trajes sadomasoquistas militares e na estética gay power, refletia sua profunda identificação com a luta de Ney pela liberdade de expressão, especialmente para a comunidade LGBTQIAPN+. "Para quem é gay, como no meu caso, é uma forma de realmente poder ser quem você é, sem medo, sem pudor. Quem vem da década de 80, um período mais complexo do que o nosso, poder mostrar numa festividade dessa quem você é… isso é gostoso, porque não tem julgamento", afirmou.
- Mônica Tavares, 46 anos, técnica em enfermagem: Há quatro anos na escola, Mônica destacou a emoção de unir dois grandes afetos: a Imperatriz e Ney Matogrosso. Sua fantasia de cigano sensual, com calça em camadas e moedas douradas, simbolizava a mutação e a transformação. "O nome do enredo já diz tudo: ‘Camaleônico’ é mutação, transformação, é o direito de se expressar sem medo de ser feliz, de se jogar mesmo", declarou.
- Luzimar Aragão, 50 anos, integrante há 16 anos: Luzimar ressaltou o significado político da homenagem. Com maquiagem burlesca e adornos de pelo, sua fantasia evocava as múltiplas imagens de Ney ao longo da carreira. "Representar esse artista multifacetado, que sempre levantou a nossa bandeira, é um orgulho enorme. Não só pela comunidade LGBT, mas por todos que enfrentam o preconceito em um país como o nosso", disse.
- Ariane Oliveira, 27 anos, maquiadora: Desfilando há cinco anos, Ariane, caracterizada como cigana, elogiou o trabalho de Leandro Vieira na renovação estética da escola. "É uma escola que está sempre se reinventando, como o próprio camaleão. O Leandro gosta da novidade, de mostrar o que sabe fazer, e ele está transformando a Imperatriz", afirmou.
O Legado de Ney Matogrosso e a Imperatriz: Um Hino à Autenticidade
A ala "Bota pra ferver" foi um espetáculo que combinou sensualidade, teatralidade e uma rica diversidade visual. Através de releituras marcantes dos figurinos de Ney Matogrosso, a Imperatriz Leopoldinense não apenas celebrou um artista, mas também reforçou sua posição como uma escola de samba que abraça a inclusão e a vanguarda. Foi um momento de pura catarse coletiva, onde a memória artística se transformou em um poderoso hino à autenticidade e à coragem de ser quem se é, livremente.
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