Mangueira: Ala inaugural vira ritual da Amazônia e emociona a Sapucaí
Mangueira Transcende na Avenida: A Força Espiritual da Ala 01 com o Ritual Turé!
A Estação Primeira de Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, transformou a Avenida em um verdadeiro território espiritual. Sua Ala 01, que abriu o desfile, celebrou o Turé, um ritual indígena ancestral praticado por povos originários do extremo norte do Brasil, guiando o público em uma jornada de reencontro e gratidão.
O Turé: Um Chamado Ancestral no Coração do Carnaval
A cerimônia do Turé, marcada pela profunda gratidão aos seres do Outro Mundo, serviu como um guia simbólico para o reencontro do Xamã Babalaô com sua Amazônia Negra, tema central do enredo da escola. Mais do que uma performance, foi uma imersão na cultura e espiritualidade dos povos da floresta, levando uma mensagem potente para o Sambódromo.
A Ala 01: Rito de Passagem e Mosaico Cultural
Com cinco fantasias distintas, a ala inaugural da Mangueira formou um vibrante mosaico social e espiritual. Ela funcionou como um rito de passagem, um convite irrecusável para que público e componentes atravessassem juntos a fronteira entre o cotidiano e o sagrado, do material ao ancestral. Era um setor coreográfico que pulsava com significado, abrindo os caminhos para todo o desfile da verde e rosa.
Vozes da Mangueira: Emoção e Conexão na Avenida
Os componentes da Ala 01 compartilharam a intensidade dessa experiência única:
- Matheus Camelo (30 anos, analista financeiro e estreante): Descreveu o momento como uma transformação pessoal e coletiva. "Muita emoção ser o primeiro ano na escola e já estar na primeira ala. Sinto que abri meus caminhos. A responsabilidade era grande para dar gás na avenida e deu certo. A primeira ala precisa entrar bem e trazer a torcida com a gente. Se a gente entra para baixo, a arquibancada sente. Hoje eu agradeço à Mangueira por tudo que ela ensina ao povo. O próprio enredo é algo que muita gente ainda não conhecia", comentou, destacando o poder educativo do Carnaval.
- Julia Santana (24 anos, analista de pesquisa de mercado e estreante): Mangueirense de coração, Julia viu no Turé uma conexão direta com a identidade da escola. "É muito emocionante ser a primeira ala da Mangueira porque eu sou mangueirense. Mostramos na avenida para o que viemos e o nosso chão firme. Nosso principal ritual é olhar para todos os ancestrais. O enredo do Amapá, da Amazônia Negra, trouxe essa mistura presente na avenida", disse, reforçando a ancestralidade como pilar da escola.
- Rosilene Souza Batista (53 anos, doméstica e estreante): Reforçou o sentimento coletivo que permeia a comunidade. "A emoção domina meu corpo, seja em qualquer ala dessa escola. Nossa comunidade merece o título, merece respeito. Falar do Amapá no Rio de Janeiro é mostrar que o Brasil vai muito além do Sudeste", afirmou, celebrando a união e a relevância de dar voz a outras regiões do país.
A Ala 01 da Mangueira, ao celebrar o Turé, não foi apenas um espetáculo de beleza, mas um potente manifesto cultural e espiritual, reafirmando o compromisso da escola com a valorização da cultura brasileira em suas múltiplas facetas e convidando a todos a uma profunda reflexão sobre a ancestralidade e a riqueza da Amazônia Negra.
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