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Mocidade: Desfile da Rita Lee teve 'buraco' na Sapucaí, mas casal brilhou! Veja a análise completa

Mocidade: Desfile da Rita Lee teve 'buraco' na Sapucaí, mas casal brilhou! Veja a análise completa

Mocidade Independente de Padre Miguel: Uma Odisseia Psicodélica em Homenagem a Rita Lee no Carnaval 2024!

A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Carnaval 2024 com um espetáculo que mergulhou de cabeça no universo irreverente e libertário de Rita Lee. Com o enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade", assinado pelo carnavalesco Renato Lage, a escola da Zona Oeste entregou uma apresentação com estética marcante, carros alegóricos bem desenvolvidos e fantasias leves, elevando o nível em relação ao ano anterior.

A Comissão de Frente: Liberdade em Movimento

Liderada por Marcelo Misailidis, a comissão de frente foi um verdadeiro show à parte, narrando a trajetória de Rita Lee como um ícone de independência e contestação. A coreografia levou o público por uma jornada visual, desde o cortejo hippie e a fase psicodélica da artista, passando pelo embate com a ditadura militar – com Rita em roupa de presidiária – até o misticismo evocado por bruxas em bicicletas. O ponto alto foi a transformação das grades da prisão em um disco voador, com Rita tocando guitarra, simbolizando a superação da censura e sua paixão pelo universo. Apesar da genialidade, a comissão enfrentou pequenos percalços técnicos, como o não funcionamento total de câmeras e o travamento de engrenagens.

Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A Dança Psicodélica

Diogo Jesus e Bruna Santos, o primeiro casal da Mocidade, brilharam na Avenida. Com fantasias inspiradas na arte psicodélica dos anos 1960, repletas de cores vibrantes e traços quadriculados, a dupla entregou uma apresentação intensa e sincronizada. Seus giros e passos coreografados pontuaram a letra do samba, demonstrando força e elegância, e confirmando mais um ano de alto nível para o casal.

O Enredo: Uma Biografia Carnavalesca

Renato Lage concebeu um enredo que foi uma justa homenagem e uma leitura didática da vida e obra de Rita Lee. A Mocidade explorou todas as facetas da artista: a provocadora, a espiritualizada, a libertária, a irônica, a crítica e a amorosa. O desfile traçou uma linha cronológica, desde o nascimento artístico de Rita e a explosão da psicodelia, passando pelo Tropicalismo, a luta contra a censura, a emancipação feminina, a experiência sensorial e suas múltiplas identidades (roqueira, mística, ativista). O encerramento conectou o rock de Rita ao samba, em uma celebração coletiva que culminou na canção "Lança Perfume".

Alegorias e Fantasias: Um Banho de Cores e Conceitos

O conjunto alegórico, composto por seis carros e um tripé, impressionou pelo conceito e execução. Carros leves, com boa leitura e um visual psicodélico vibrante, fizeram uso inteligente de luzes para pontuar cada fase do enredo. O abre-alas, com sua explosão de cores e elementos hipnóticos, celebrou a chegada da cantora ao cenário musical. O terceiro carro, com a representação da prisão "Xadrez 21", foi impactante ao retratar o embate com a censura. As fantasias, por sua vez, complementaram a narrativa com maestria, apresentando ótima leitura do enredo, paletas de cores bem trabalhadas e um toque irreverente. Alas como "Psicodelicamente Lisérgico", "Ovelha Negra" (toda de branco, em um toque de ironia) e "Bonita e Gostosa" (com seios cenográficos, satirizando o patriarcado) foram exemplos da criatividade. Pequenos problemas de acabamento foram notados em algumas alegorias e fantasias, mas não ofuscaram o brilho geral.

Samba-Enredo, Harmonia e Evolução: Altos e Baixos na Pista

O samba-enredo, assinado por Jeffinho Rodrigues e outros compositores, foi leve e irreverente, com um rendimento satisfatório que contagiou tanto os componentes quanto o público. O refrão principal, com sua alusão melódica a "Venenosa", foi amplamente cantado. A harmonia foi um dos pontos fortes, com a comunidade cantando com garra durante todo o desfile. O carro de som, com Igor Vianna em sua estreia e o apoio marcante das vozes femininas de Milena Wainer, Viviane Santos e Roberta Barreto, manteve a musicalidade em alta. No entanto, a evolução enfrentou desafios. Um buraco considerável no setor quatro e diversas paradas inesperadas comprometeram a fluidez do desfile, apesar da energia e alegria dos componentes.

Outros Destaques: Brilho em Cada Detalhe

  • A bateria "Não Existe Mais Quente", de mestre Dudu, vestida de Eros, o deus do amor, proporcionou um efeito visual encantador ao soltar balões em formato de coração.
  • As baianas representaram feiticeiras que rompiam estigmas, com o gato preto, símbolo de instinto e liberdade, como adereço de mão.
  • A ala de passistas traduziu a liberdade feminina em movimentos, com samba no pé e beleza.

A Mocidade Independente de Padre Miguel, ao homenagear Rita Lee, entregou um desfile de grande impacto visual e conceitual, celebrando a "padroeira da liberdade" com criatividade e paixão, apesar dos desafios na execução de alguns quesitos.

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