Mocidade Unida da Mooca faz ensaio técnico no Anhembi com foco em ancestralidade e protagonismo negro
Mocidade Unida da Mooca: Um ensaio técnico que grita "Vim para ficar!"
A Mocidade Unida da Mooca (MUM) fez seu primeiro ensaio técnico no Anhembi como escola do Grupo Especial e a mensagem foi clara: a agremiação chegou para competir e brigar pelas primeiras posições, não apenas para garantir a permanência na elite do carnaval.
Um enredo com força e representatividade
O tema deste ano é uma homenagem ao Instituto Geledés, uma referência histórica na luta das mulheres negras. O desfile promete uma narrativa envolvente sobre ancestralidade, resistência e o protagonismo feminino negro. A MUM terá a honra de abrir os desfiles do Grupo Especial na sexta-feira, 13 de fevereiro.
Comissão de Frente: Impacto e ancestralidade
Sob a coreografia de Sabrina Cassimiro, a comissão de frente impressionou com uma proposta de forte impacto. A apresentação mesclou ações no chão com intervenções em um elemento alegórico, que também serviu de palco para performances solo, como a representação de Exu, conduzindo a narrativa do quesito com firmeza e presença cênica. Referências a Odùdúwà e aos ancestrais complementaram a performance, criando uma atmosfera ritualística com o uso de lentes de contato brancas.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Sincronia e superação
O casal Jefferson e Karina demonstrou uma dança integrada ao samba-enredo, incorporando gestos que simulavam o toque de tambores e dialogando com a temática afro-religiosa da escola. Apesar do vento forte, que representou um desafio extra, a sincronia e a atenção à bandeira foram impecáveis. Karina destacou a dificuldade, mas celebrou a superação, enquanto Jefferson elogiou a resiliência da porta-bandeira diante das adversidades naturais.
Harmonia: O canto que levanta a arquibancada
O canto da comunidade foi um dos pontos altos do ensaio. Todas as alas responderam com intensidade, sustentando o samba-enredo poético do início ao fim. Os intérpretes Gui Cruz, Sté Oliveira e Emerson Dias foram unânimes em descrever a energia como "avassaladora" e a troca com a arquibancada como "maravilhosa". A sintonia entre a ala musical e a bateria permitiu que a comunidade assumisse o protagonismo vocal, especialmente nas retomadas após as bossas.
Evolução: Organização e identidade
A evolução da MUM foi marcada pela organização e controle, com alas desfilando enfileiradas e deslocamentos bem definidos. As referências visuais em dourado e a associação com Oxum dialogaram diretamente com o enredo, reforçando a estética do desfile. A condução indicou domínio do tempo e um entendimento coletivo da proposta, com destaque para a organização na entrada dos carros alegóricos.
Samba-Enredo: A força da narrativa
O samba-enredo apresentou alto rendimento, com uma narrativa clara sobre ancestralidade e protagonismo feminino negro. Os versos favoreceram o canto forte e contínuo, arrepiando os presentes na pista. A fluidez do samba e o canto coletivo em trechos de maior densidade poética reforçaram a identidade musical da escola.
Outros Destaques: Bateria e alegorias
A bateria se destacou com bossas que abriram espaço para a harmonia e apagões estratégicos que ampliaram o canto da escola. A resposta dos componentes foi imediata, criando momentos de forte impacto sonoro. Destaques posicionados em um carro alegórico com o pavilhão da MUM e o símbolo do Instituto Geledés reforçaram visualmente a parceria que fundamenta o enredo, antecipando a presença de personagens importantes da história do Instituto no desfile oficial.
No geral, a Mocidade Unida da Mooca demonstrou no Anhembi que entende o peso do Grupo Especial e que sua ambição é compatível com a elite do carnaval.
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