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Portela 2026: Emoção e problemas! O que deu errado e pode custar o título?

Portela 2026: Emoção e problemas! O que deu errado e pode custar o título?

A Jornada da Águia: Portela Encanta, Mas Enfrenta Desafios na Sapucaí

A Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, adentrou a Marquês de Sapucaí com uma missão grandiosa: desvendar o "Mistério do Príncipe do Bará, a Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande". O enredo, que prometia um resgate histórico e cultural da ancestralidade afro-gaúcha, entregou momentos de pura emoção e espiritualidade, mas também enfrentou obstáculos técnicos que testaram a garra da Majestade do Samba.

O Enredo: Uma Viagem Afro-Gaúcha

Com uma proposta ousada, a Portela mergulhou nas raízes do Sul do Brasil, trazendo à tona a figura do Príncipe Custódio, do Orixá Bará e do Negrinho do Pastoreio. A narrativa, concebida como uma fábula de libertação, buscou desfazer a neblina do racismo e celebrar a soberania cultural. A espiritualidade do Batuque gaúcho foi um dos pontos altos, conectando a escola e o público em uma experiência mística e profunda, ecoando a força da cultura afro-brasileira.

Comissão de Frente: Misticismo com Toque de Emoção

Assinada por Claudia Motta e Edifranc Alves, a comissão de frente da Portela foi um espetáculo à parte. A coreografia buscou traduzir o diálogo místico entre o Negrinho do Pastoreio e Bará, culminando em um momento de comoção ao exibir a imagem do saudoso Gilsinho. O uso de um drone foi descrito como "arrebatador", adicionando um toque de modernidade à apresentação. No entanto, a integração do drone com a coreografia principal e a clareza da leitura da cena para o público geral deixaram a sensação de que havia espaço para um refinamento ainda maior, e o recurso de LED não surpreendeu tanto quanto poderia.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A Elegância da Tradição

Marlon Lamar e Squel Jorgea, o baluarte da Portela, entregaram uma exibição impecável. Com figurinos imponentes em tons de azul e cabeças prateadas adornadas por vasta plumagem, a dupla esbanjou sincronia milimétrica, conexão no olhar e um bailado que uniu a elegância tradicional à força necessária para sustentar o pavilhão. A segurança de Marlon e a graciosidade de Squel garantiram uma apresentação coesa e tecnicamente perfeita nos três módulos de julgamento, reafirmando o legado da escola neste quesito fundamental do Carnaval.

Harmonia e Bateria: O Coração Pulsante do Samba

O samba-enredo da Portela, conduzido com maestria e vibração por Zé Paulo Sierra, manteve a escola pulsando e chamou o público para a celebração. A harmonia de chão começou forte, e a bateria de Mestre Vitinho foi o verdadeiro motor rítmico, executando bossas de pura cadência. Em momentos marcantes, os ritmistas saudaram as arquibancadas e agacharam-se e levantaram-se no refrão "vai ter xirê no toque do tambor", sob a regência de Vitinho. Contudo, o rendimento do canto sofreu oscilações naturais nos momentos em que a escola precisou parar devido aos problemas técnicos na pista.

Evolução: O Calcanhar de Aquiles da Águia

Lamentavelmente, a evolução foi o quesito mais castigado da noite para a Portela. Após um início promissor, a escola enfrentou uma crise significativa com a quinta alegoria, que apresentou dificuldades técnicas extremas para entrar na pista. Este contratempo gerou um buraco imenso no desfile e obrigou a agremiação a permanecer parada por um tempo considerável. As alas seguintes, em um esforço de superação, tiveram que apertar o passo nos módulos finais para evitar estourar o tempo regulamentar, impactando a fluidez e a cadência da apresentação na passarela do samba.

Alegorias e Fantasias: Brilho e Desafios no Acabamento

O conjunto de fantasias da Portela apresentou boa volumetria e uma identidade visual clara, com riqueza de detalhes e materiais diversos. Destaque para a ala ‘Xirê do Batuque, Assentando a Africanidade’, com mais de 300 componentes e luzes piscantes que adicionavam um charme especial. No entanto, o conjunto alegórico sofreu com problemas visíveis de finalização. O abre-alas desfilou com estrelas mal coladas e pontos de ausência de adereços. Pedaços de fantasias foram vistos cair na pista. A maior decepção visual ocorreu na alegoria "República Batuque Riograndense", onde a escultura do Bará, que deveria surgir imponente, apareceu afundada, impossibilitando a visão correta. Além disso, elementos em madeira crua, sem qualquer revestimento, expuseram uma fragilidade de acabamento inesperada para uma escola do porte da Portela.

Destaques e o Veredito Final

Apesar das adversidades técnicas, a Portela honrou sua rica história ao trazer figuras emblemáticas como a matriarca Tia Surica e o veterano Nil de Iemanjá no último carro. A presença de Vilma Nascimento, o "Cisne da Passarela", homenageando a lendária porta-estandarte gaúcha Onira Pereira, foi um momento de reverência mútua entre as tradições do Rio e do Sul. A escola concluiu seu desfile dentro do tempo, com a alma lavada pela espiritualidade do enredo, mas com a consciência de que os erros de bastidor podem custar caro na apuração. A busca pelo título do Carnaval, que parecia tão próxima, agora se vê ofuscada por detalhes que podem fazer toda a diferença no resultado final.

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