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Portela: O Batuque que o Sul tentou apagar e a Sapucaí revelou!


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Portela: O Batuque que o Sul tentou apagar e a Sapucaí revelou!

Portela Faz História na Sapucaí: Um Mergulho Profundo na Religiosidade Negra do Sul do Brasil!

A Portela, majestosa em sua essência, protagonizou um dos momentos mais marcantes do Grupo Especial ao trazer para a Marquês de Sapucaí um tema que ressoa com a força da ancestralidade e a riqueza da cultura afro-brasileira: a religiosidade negra do Sul do Brasil. Em um desfile emocionante e educativo, a Águia de Madureira apresentou o Batuque, uma tradição de matriz africana pouco explorada no grande palco do Carnaval, desafiando narrativas e ampliando horizontes sobre a diversidade cultural do país.

A escola de samba conduziu o público a uma jornada por figuras emblemáticas como o Príncipe Custódio, o orixá Bará e a lenda do Negrinho do Pastoreio. Esses símbolos poderosos não apenas contaram uma história, mas confrontaram diretamente o apagamento histórico da presença negra na cultura sulista, tradicionalmente associada a costumes europeus e uma imagem de "Sul branco". A Portela, com sua sabedoria e arte, provou que o Carnaval é também um espaço vital para a revisão e afirmação da memória coletiva.

O Enredo que Quebrou Paradigmas

Concebido pelo carnavalesco André Rodrigues, o enredo da Portela foi um convite irrecusável para questionar a ideia preconcebida de um Sul exclusivamente branco e de raízes europeias. A narrativa da escola mergulhou nas profundezas das tradições gaúchas, revelando a vibrante tapeçaria cultural que inclui a fé e os rituais de matriz africana. A escolha do tema foi um ato de coragem e relevância, destacando a necessidade de reconhecer e celebrar a pluralidade que compõe a identidade brasileira.

A representação de Ogum, divindade do metal, pela componente Rosinete de Alencar, da ala Xirê dos Orixás, ilustra perfeitamente a intenção do desfile. Ela enfatizou a importância de expandir os imaginários sobre a região: "Todo mundo pensa que no Rio Grande não existe macumba, não existe Batuque, só pessoas brancas. E não. Existem negros, existem várias religiões, como em qualquer lugar", afirmou, sublinhando a urgência de desconstruir estereótipos e preconceitos arraigados.

A Força da Fé e da Memória Viva

Nas religiões de matriz africana, o passado não é apenas um registro, mas uma memória viva e um espaço de profunda reverência. A Portela, ao trazer essa perspectiva para a Sapucaí, ofereceu uma aula de história e cultura. Rosinete de Alencar, umbandista, ressaltou o valor educativo do enredo, especialmente para as novas gerações: "Eu acho lindo representar nossa religião, mostrar a cultura, as roupas, os costumes. Quem está nascendo agora precisa ter esse conhecimento", disse, apontando para o papel fundamental do Carnaval como plataforma de ensino e preservação cultural.

O samba-enredo, ao narrar o assentamento de Bará no Mercado Público de Porto Alegre, evocou a divindade com o pedido de licença "Alupó" no refrão. Este momento se transformou em um ponto alto do desfile, alterando a energia da Avenida e contagiando os desfilantes com uma emoção palpável. "Me arrepio dos pés à cabeça. Vi muita gente chorando no ensaio técnico. É como um fortalecimento da alma", contou uma componente, traduzindo o impacto espiritual e emocional que o enredo proporcionou.

Respeito e a Defesa da Ancestralidade

Luciana Monteiro, da ala Batuqueiro Mandingueiro, reforçou a mensagem central do desfile: o conhecimento da diversidade religiosa como condição essencial para o respeito. "A gente precisa aprender a respeitar. Não adianta conhecer só a própria religião; é preciso entender a do outro para respeitar e até admirar", destacou, em uma fala que transcende o espetáculo e se torna um manifesto por uma sociedade mais tolerante e inclusiva.

Mesmo diante de críticas recorrentes sobre a suposta repetição de temas afro nas escolas de samba, os componentes da Portela defenderam com veemência a permanência dessas narrativas. Para eles, esses enredos são mais do que meros desfiles; são afirmações de memória e existência, um grito pela ancestralidade que não pode ser silenciado. "A ancestralidade não pode morrer. Precisamos saber por que estamos aqui e o que ainda temos que evoluir a partir dos nossos ancestrais", concluiu um dos desfilantes, encapsulando a profundidade e a relevância do trabalho da Portela em seu Carnaval.

A Portela não apenas desfilou; ela educou, emocionou e provocou reflexão, reafirmando seu papel como uma das maiores guardiãs da cultura brasileira e da memória de seu povo.

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