Salgueiro: Rosa Magalhães DETONA consumo e globalização com ala irreverente!
Salgueiro e a "Tutti-Multinacional": Uma Viagem Pop pela Globalização no Carnaval!
O Carnaval do Rio de Janeiro é palco de arte, crítica e celebração, e a Acadêmicos do Salgueiro demonstrou isso com maestria em seu desfile. A ala 17, batizada de "Tutti-multinacional", foi um dos pontos altos, destacando-se por suas fantasias coloridas e irreverentes que propuseram um olhar pop e bem-humorado sobre a globalização e o consumo cultural que moldam o nosso tempo.
O Conceito por Trás da Fantasia: Crítica e Cores Vibrantes
Com uma estética que misturava a icônica Estátua da Liberdade, a águia norte-americana e a bandeira dos Estados Unidos a cores vibrantes que remetiam ao chiclete, a ala "Tutti-multinacional" não passou despercebida. A intenção era clara: construir uma crítica leve, mas provocadora, à americanização dos costumes brasileiros, ao mesmo tempo em que celebrava a mistura de culturas. A presença de um avião na composição simbolizava as viagens e a rica bagagem cultural que inspiraram a criação.
A Visão da Carnavalesca Rosa Magalhães
A concepção da ala é um tributo à genialidade de Rosa Magalhães, carnavalesca que se tornou uma lenda por sua habilidade em articular sátira e comentário social em seus enredos. A "bagunça" simbólica de sua bagagem cultural foi incorporada, refletindo sua marca autoral de absorver e ressignificar elementos de diversas origens. A ala, em sua essência, é uma síntese das viagens e das culturas que Rosa trouxe para o Carnaval carioca, um verdadeiro exercício de antropofagia cultural.
Entre Crítica e Celebração: As Vozes da Ala
A complexidade da ala gerou diferentes interpretações entre seus próprios componentes:
- Marcelo Fonseca (47 anos): Para ele, a diversidade é a chave de leitura. "A Rosa era uma camaleoa, que gostava de diversidade. Aqui tem figuras orientais, tem a águia norte-americana levando bandeiras dos Estados Unidos, mas também tem nordestino, tem de tudo. Essa ala fala sobre a globalização em sua forma mais pura", afirmou. Ele reconhece a crítica, mas pondera que a identificação pode variar.
- Hécules Ângelo (Pedagogo): Acredita que o visual não seria imediatamente compreendido por todos. "Quem conhece a obra da Rosa entende que isso é referência a um samba muito conhecido, mas que pouca gente lembra. Pode causar impacto por esse lado irônico, mas é diferente de lugares que deixam a mensagem mais explícita. Só vai entender quem já estudou a história dela", declarou.
- Cássia Novelle (Diretora da Ala): Confirmou a chave de interpretação, explicando que a fantasia representa uma síntese das viagens e culturas que Rosa Magalhães incorporou ao Carnaval do Rio, destacando a capacidade de "pegar outras culturas e ressignificar a partir da nossa brasilidade".
A Globalização na Prática: Histórias de Vida na Avenida
A própria composição da ala refletia a globalização. O casal Melvin Pagam (porto-riquenho, 45 anos) e Wellington Lousada (morador de Boston, 47 anos), que vivem a globalização na prática, desfilam há oito anos e enxergam no setor um reflexo de suas trajetórias.
- Melvin Pagam: "Tem cores diferentes, pessoas diferentes. Eu sou porto-riquenho. Essa mistura ajuda a fazer a ala e a escola brilharem", afirmou, celebrando a diversidade.
- Wellington Lousada: Destacou o impacto visual: "Primeiro pelo brilho e pelo tamanho da fantasia. A Rosa sempre gostou de glamour, de coisas grandes. E isso combina com a identidade da escola, que vem para arrasar na avenida". Ele finalizou reforçando a ideia de antropofagia, onde a ala "mostra exatamente isso" ao ressignificar culturas com um toque brasileiro.
A "Tutti-multinacional" do Salgueiro, portanto, não foi apenas um desfile de fantasias, mas um convite à reflexão sobre o mundo conectado, a influência cultural e a capacidade do Carnaval de transformar esses temas em uma explosão de criatividade e significado na Marquês de Sapucaí.
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