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São Clemente: Pagode, ancestralidade e samba que fez a Sapucaí vibrar!

São Clemente: Pagode, ancestralidade e samba que fez a Sapucaí vibrar!

São Clemente Transforma a Avenida em um Quintal de Samba e Pagode!

A São Clemente fez a Marquês de Sapucaí vibrar com um desfile que foi uma verdadeira ode às raízes do samba e à rica herança africana. Com o enredo "Na Tamarineira, é pagode, é carioca, é São Clemente", a escola da Zona Oeste celebrou a cultura carioca e a resistência negra, transformando a avenida em um grande terreiro de festa e história.

O Enredo que Contou uma História de Luta e Celebração

A narrativa da São Clemente foi um mergulho profundo na relação da negritude com o samba, desde suas origens ancestrais até as vertentes contemporâneas, como o pagode, o samba de roda e o samba-enredo. A escola revisitou a história, evocando o jongo, o lundu e a emblemática Casa de Ciata, símbolos da resistência e da transformação musical. Foi uma homenagem emocionante àqueles que, muitas vezes discriminados, ergueram a cultura que hoje é aplaudida e celebrada em todo o mundo. Nomes como Fundo de Quintal, Beth Carvalho e Arlindo Cruz foram exaltados, reforçando a mensagem de que "São Clemente é quintal de todo partideiro".

Comissão de Frente: A Libertação em Cena

A comissão de frente foi um dos momentos mais impactantes do desfile. Com figurinos que remetiam aos escravizados da Pequena África, os dançarinos, inicialmente presos por correntes, protagonizaram um ato simbólico de libertação. Ajoelhados, eles se desfaziam das amarras em um grito coletivo de resistência, para depois celebrar com samba no pé e exibir retratos de grandes mestres do samba, como Arlindo Cruz e Jovelina Pérola Negra. Apesar de um elemento alegórico imponente, mas de funcionalidade limitada, a comissão entregou uma performance de talento e emoção.

O Bailado Elegante do Pavilhão

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex Marcelino e Thaís Romi, encantou com um cortejo clássico e cheio de emoção. A porta-bandeira, com sua expressividade e firmeza, defendeu o pavilhão com maestria, assumindo um protagonismo que arrancou aplausos. Pequenos percalços com as fantasias não ofuscaram a beleza e a sincronia da dupla.

A Sinfonia da Harmonia e do Samba-Enredo

A harmonia da São Clemente mostrou-se impecável, com os componentes cantando com entusiasmo e paixão, especialmente nas alas mais importantes, como a das baianas. No carro de som, Tinguinha comandou a festa com fôlego e potência vocal, garantindo que o samba-enredo, com seus refrões de fácil assimilação, crescesse e contagiasse a avenida. A bateria, um show à parte, apostou em bossas que remetiam ao pagode, com chocalhos, pandeiros e repiques em destaque, criando uma atmosfera autêntica de roda de samba.

Cores e Formas na Avenida

As fantasias e alegorias da São Clemente dialogaram perfeitamente com o enredo, predominando as cores azul, branco e amarelo, que reforçam a identidade da escola. Com bom acabamento e muito brilho, os figurinos festivos e os adereços de cabeça se destacaram. As baianas, em especial, impressionaram com seus figurinos amarelos, asas de borboleta e saias amplas, compondo um visual marcante. As alegorias, de tamanho mediano, sustentaram a estética popular e festiva, com maior ênfase na negritude do que em referências diretas ao samba.

Evolução e o Grito de "É Campeão!"

A evolução da escola começou fluida e tranquila, com os componentes se movimentando com liberdade. Apesar de uma ligeira aceleração no final para cumprir o tempo regulamentar, a São Clemente manteve a coesão espacial, sem apresentar buracos na pista. Ao final, os gritos de "é campeão" ecoaram pela avenida, selando uma apresentação que foi muito mais do que um desfile: foi uma grande roda de pagode transformada em espetáculo, celebrando a cultura e a resistência com muita garra e alegria.

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