Tijuca homenageia Carolina Maria de Jesus em ala emocionante
Unidos da Tijuca: Carolina Maria de Jesus ganha vida na avenida!
A Unidos da Tijuca emocionou a todos em seu minidesfile, transformando a obra de Carolina Maria de Jesus em um poderoso manifesto coletivo. A ala cênica "Canindé" trouxe à tona a força e a relevância da escritora, homenageada no enredo do carnavalesco Edson Pereira.
Carolina Maria de Jesus: Um espelho para todas as mulheres
A diretora artística Flávia Leal e três componentes da ala compartilharam suas visões sobre a homenagem, ressaltando a identificação com a autora. "Cada uma tem uma Carolina dentro de si", afirmam, evidenciando a universalidade da experiência da escritora.
Flávia Leal descreveu a experiência como difícil de colocar em palavras, repleta de verdade e emoção. Para ela, a homenagem é também um grito político: "A gente vem em forma de um protesto também. Aguardem o desfile que está chegando. É sobre isso".
Vânia Pinheiro: Revivendo Carolina no palco e na avenida
A fisioterapeuta, professora de dança e atriz Vânia Pinheiro, de 60 anos, sente uma conexão profunda com Carolina Maria de Jesus. Ela interpretou a escritora no espetáculo "A Invasão" e agora reencontra essa preparação na avenida.
"Ela me representa. Representa a mãe solo, a mulher que corre atrás e não tem medo de barreiras. É uma mulher atual, mesmo tendo nascido lá em 1914", declarou Vânia. Para ela, desfilar homenageando Carolina é reviver seus estudos sobre a autora e mostrar a dignidade das mulheres brasileiras e a dor coletiva de mães e cuidadoras.
Maria Leotério: A força da arte e o reconhecimento
A produtora de eventos Maria Leotério de Souza, 61 anos, reforça que a homenagem nasce de um reconhecimento profundo. "A Carolina passou o que nós, mulheres pretas, também passamos. A arte que estamos fazendo é dedicada a isso", contou.
Ela destaca que a força da ala reside no encontro entre mulheres que reconhecem suas próprias histórias na da escritora. "Cada uma tem uma Carolina na vida, trazemos no coração. É importante mostrar quantas Carolinas deveriam estar na avenida também". Maria Leotério ressalta que a escolha de três mulheres pretas na linha de frente dialoga diretamente com o sentido do enredo: "Cada Carolina está dentro de nós, cada uma do seu jeitinho, com o seu pensamento".
Camila Moreira: Representatividade da Baixada ao Teatro Municipal
A bailarina Camila Moreira, 20 anos, do corpo técnico do Teatro Municipal, foi convidada por Flávia Leal para integrar a ala. Ela sempre se sentiu representada por Carolina Maria de Jesus e vê sua presença como um gesto de representatividade para meninas da Baixada Fluminense.
"Eu vim da Baixada. estou mostrando para as meninas mais novas que todo mundo tem uma Carolina dentro de si". Camila adianta que o grupo retrata a favela do Canindé com sofrimento, mas promete surpreender. "A mensagem é que cada um descubra a Carolina que existe dentro de si".
Um encerramento potente e coletivo
Ao encerrar o minidesfile, a ala cênica da Tijuca transformou a dor e a potência de Carolina Maria de Jesus em presença coletiva. Gerações e trajetórias distintas representaram a escritora que denunciou a fome e registrou a vida na favela do Canindé com precisão e coragem. Como resumiu Maria Leotério, "Carolina está dentro de nós".
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