Tuiuti no Carnaval: desvendando Ifá e a rica ancestralidade africana!
Paraíso do Tuiuti Desvenda a Ancestralidade Lukumi na Sapucaí!
O Paraíso do Tuiuti transformou a Marquês de Sapucaí em uma verdadeira sala de aula a céu aberto, levando o público a uma imersão profunda na ancestralidade Lukumi. Com a impactante Ala 4, intitulada "O Ifá em Kush", a escola de samba narrou a fascinante trajetória do oráculo de Orunmilá, conectando continentes e séculos de história.
Uma Viagem Ancestral: Do Berço do Ifá à Cultura Lukumi
A apresentação do Tuiuti foi um convite para desvendar como o conhecimento milenar do Ifá, originário da cidade sagrada de Ifé, na África Ocidental, viajou pelas antigas rotas transaarianas. Esses caminhos, que antes transportavam ouro e sal, foram também veios de saberes, levando fundamentos religiosos ao Reino de Kush, na antiga Núbia (atual Sudão). Lá, sacerdotes absorveram os ensinamentos dos babalawos iorubás, estabelecendo uma ponte cultural que, séculos depois, culminaria na rica fusão afro-cubana conhecida como cultura Lukumi.
A fantasia da ala "O Ifá em Kush" foi um espetáculo à parte, materializando visualmente esse encontro de civilizações. Elementos que remetiam às imponentes pirâmides kushitas e à majestade dos faraós negros dialogavam harmoniosamente com símbolos do Ifá, criando uma narrativa visual potente sobre o intercâmbio cultural e a resiliência de um saber que atravessou desertos, oceanos e gerações.
O Carnaval: Uma Escola de História e Identidade
Para os componentes da ala, o desfile do Paraíso do Tuiuti transcendeu o mero espetáculo. Matheus Pereira, de 25 anos, cuidador de animais, enfatizou o papel social do Carnaval na perpetuação da cultura e do conhecimento. "Quem estuda um pouco da história do nosso país sabe que a história contada é a europeia e não a ancestral, dos negros. O carnaval, esse palco gigantesco, é uma das principais formas de mostrar essa história para a população", afirmou, destacando a função educativa da festa.
Maria da Graça, dentista de 59 anos e estreante na Sapucaí, reforçou a importância de transmitir esse saber às novas gerações. "Acredito que passando para novas gerações e explicando a cultura e a história do Ifá, porque muitas pessoas nunca nem ouviram falar dessa cultura cubana, que fala sobre o destino de cada pessoa, é muito importante cada um saber do seu destino", disse ela, ressaltando a universalidade do Carnaval como uma celebração de "todos os povos, raças, culturas".
Milena Blanc, médica de 32 anos e iniciada na tradição do Ifá por herança familiar, vê na apresentação da escola um poderoso movimento de afirmação. Desfilando pelo Tuiuti há três anos, ela considera o Carnaval "literalmente uma escola" e acredita que a escolha de enredos que narram a história preta se tornou uma marca identitária da agremiação, torcendo para que o desfile amplie a visibilidade da cultura negra. A Ala 4 do Paraíso do Tuiuti, portanto, não foi apenas um show de cores e samba, mas uma celebração viva da memória, da resistência e da riqueza da herança africana, reafirmando o Carnaval como um poderoso veículo de educação e valorização cultural.
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