Tuiuti no Carnaval: Ifá: o segredo da união de povos na Sapucaí!
Paraíso do Tuiuti Mergulha na Espiritualidade Afro-Cubana e Afro-Brasileira na Sapucaí!
A Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles da terça-feira de Carnaval na Marquês de Sapucaí em 2024, buscando seu primeiro título no Grupo Especial. Com o enredo "Lonã Ifá Lukumí", assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, a escola propôs uma imersão profunda na rica espiritualidade afro-brasileira e afro-cubana. Este tema inovador buscou explorar as raízes e conexões entre essas culturas, destacando a resiliência e a riqueza dos povos africanos e seus descendentes.
O Enredo "Lonã Ifá Lukumí": Uma Ponte Cultural
O enredo da Tuiuti não foi apenas um desfile, mas uma poderosa declaração cultural e espiritual. Ele convidou à reflexão sobre identidade, respeito e a força da herança africana no mundo, conectando as tradições religiosas do Brasil e de Cuba.
A Alegoria que Conectou Mundos
Um dos pontos altos do desfile foi o quinto carro alegórico, que simbolizou a expansão da rama caribenha e a presença do Ifá Lucumí em solo brasileiro, com a missão de disseminar a palavra de Orunmila pelo mundo. No topo da alegoria, um globo terrestre, artisticamente formado por esculturas de pessoas de diversas partes do planeta, todas concebidas sob uma estética iorubana, reforçava a mensagem universal de conexão e união. Acima de tudo, a imponente escultura de Orunmila, inspirada na obra de Carybé no Mural dos Orixás, emergia como um guia para o destino sagrado da paz, transmitindo uma poderosa mensagem de harmonia e fé.
Vozes da Sapucaí: A Importância do Tema
Para aprofundar a discussão sobre a relevância do enredo, diversos participantes foram entrevistados, compartilhando suas perspectivas:
- Diogo Andrade (analista de sistemas): Estreante na Sapucaí pela Tuiuti, enfatizou que a escolha do tema mantém a tradição da escola em abordar questões sociais e políticas profundas, enaltecendo a cultura afro. Ele ressaltou a necessidade de respeito e igualdade, alertando para a repetição histórica de perseguições a minorias.
- Juninho Silva (criador de conteúdo): Destacou as similaridades entre as religiões de matriz africana no Brasil e em Cuba, vendo o enredo como uma forma de mostrar essas conexões e perspectivas religiosas comuns entre povos com herança africana. Para ele, a religião é um caminho de reconhecimento e reencontro para as pessoas pretas, um "caminho de volta para casa".
- Diego Moreira (professor): Com mais de 30 anos de Carnaval, ampliou o debate ao relacionar o enredo com a diáspora africana e sua vasta herança cultural global. Ele ressaltou como a presença africana contribuiu para a religiosidade não apenas brasileira, mas mundial, e como as pessoas negras, apesar de vidas sofridas e violência, deixaram um legado imenso que influencia a música, a dança e as artes globalmente.
Carnaval: União, Resistência e Legado
O papel do Carnaval como espaço de união e troca foi um ponto crucial. Diogo Andrade ponderou sobre a dualidade da festa, com seu lado comercial que pode gerar separação, mas elogiou o desfile e as arquibancadas como momentos de união e igualdade. Juninho Silva expressou a crença de que a essência original do Carnaval, de união de povos, está sendo retomada. Diego Moreira reforçou o papel histórico do Carnaval como espaço de resistência e representatividade, onde a musicalidade de matriz africana e indígena se manifesta, criando um dos maiores patrimônios culturais mundiais. O enredo da Paraíso do Tuiuti, portanto, não foi apenas um desfile, mas uma poderosa declaração cultural e espiritual, convidando à reflexão sobre identidade, respeito e a força da herança africana no mundo. A escola reafirmou seu compromisso em trazer temas relevantes e de grande impacto social para a Avenida, celebrando a riqueza e a diversidade das culturas afro-diaspóricas e a importância inegável do legado africano para a formação cultural global.
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