Unidos de Bangu: Ensaio técnico mostra força e pontos a melhorar

Unidos de Bangu no Ensaio Técnico: Resistência Ancestral com Desafios e Promessas
A Unidos de Bangu realizou seu ensaio técnico no último domingo com o enredo "Maraka’anandê – Resistência Ancestral", uma homenagem à Aldeia Maracanã e sua luta contra o apagamento histórico e a violência. O desfile, apesar de apresentar momentos de brilho, também revelou pontos que precisam de ajustes antes da apresentação oficial.
Uma Comissão de Frente Impactante, mas com um detalhe...
A comissão de frente, sob a direção de Fábio Costa, impressionou com figurinos inspirados na cultura indígena e uma coreografia que mesclou ballet clássico e danças indígenas. A performance visual foi de tirar o fôlego, mas o canto dos componentes ficou aquém do esperado, necessitando de incentivo constante do coreógrafo. Apesar do impacto visual, a falta de força no canto precisa ser resolvida.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Entrosamento com um Desafio Rítmico
Leonardo Moreira e Bárbara Moura, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, demonstraram grande entrosamento e técnica impecável. Entretanto, uma diferença de ritmo entre eles, com Leonardo mais vigoroso e Bárbara mais cadenciada, foi perceptível, especialmente quando mais distantes das cabines. Este descompasso, embora ajustado durante o ensaio, requer atenção para o desfile oficial.
Harmonia: Um Verso Forte, mas Pouco Sustentado
Apesar da excelente performance de Igor Vianna no carro de som, a harmonia da escola apresentou fragilidades. Muitas alas não cantaram o samba-enredo completamente, com exceção do trecho "Originário é Bangu, Maracanã". Para o desfile oficial, a escola precisa garantir que toda a comunidade cante do início ao fim, assegurando uma harmonia consistente e impactante. Igor Vianna, contudo, se mostrou confiante na evolução até o dia oficial.
Evolução: Organização e Clareza Cênica a Aperfeiçoar
A evolução da escola mostrou alguns pontos que precisam de melhorias. Algumas alas apresentaram falta de organização, com componentes se corrigindo durante o ensaio. A ala que representava a agressão a indígenas por policiais, em especial, mostrou-se confusa e pouco ensaiada, demandando ajustes significativos na execução e na clareza da cena.
Bateria: Ritmo Firme, Samba a Aprimorar
A bateria, comandada pelo mestre Laion, apresentou um bom desempenho rítmico. No entanto, assim como a harmonia, o samba da escola não se mostrou completo na avenida. A falta de canto generalizado comprometeu a energia do desfile. Apesar disso, o mestre Laion se mostrou confiante, destacando o ensaio técnico como preparação para o dia oficial e a busca pela nota máxima.
A Presença Indígena: Um Momento de Força e Emoção
A participação de indígenas da Aldeia Maracanã foi um dos momentos mais marcantes do ensaio. Carregando faixas com mensagens de resistência ("Eles combinaram de nos matar, nós combinamos de não morrer" e "Aldeia Maraka’nã quebrando o asfalto de corações e mentes"), eles adicionaram um peso simbólico e emocional significativo ao desfile, conectando-o diretamente à realidade social e histórica que o enredo retrata. Este elemento precisa ser ainda mais valorizado no desfile oficial.
A Visão do Diretor de Carnaval: Foco na Alegria e Aprendizado
Marcelo do Rap, diretor de carnaval, destacou a importância do ensaio técnico como ferramenta de aprendizado e união da escola. Ele enfatizou o objetivo de evitar os erros do passado e buscar o título no desfile oficial, priorizando a alegria e a diversão como pilares do Carnaval.
Em resumo: O ensaio técnico da Unidos de Bangu mostrou um enredo potente e momentos de grande beleza, mas também revelou a necessidade de ajustes significativos em harmonia, canto, evolução e clareza cênica em algumas alas. A presença dos indígenas da Aldeia Maracanã adicionou um valor inestimável ao desfile, e a confiança da equipe em aprimorar os pontos fracos até o dia oficial é um sinal positivo.