Unidos de Padre Miguel: Rebaixamento gera revolta e comoção
Rebaixamento da Unidos de Padre Miguel: Injustiça ou Tradição?
O rebaixamento da Unidos de Padre Miguel (UPM) para a Série Ouro no Carnaval 2025 gerou grande polêmica e revolta entre os amantes da folia. O CARNAVALESCO ouviu o público presente no sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial para 2026 e constatou a indignação generalizada.
O que dizem os apaixonados pelo Carnaval?
- Geisa Lopes (Beija-Flor): "Foi superinjusto. Escolas que deveriam ter sido rebaixadas não foram porque têm peso e nome. Já virou carta marcada essa história de que a escola que sobe sempre cai."
- Thamires Rendeiro (Imperatriz): "Houve uma injustiça enorme com o rebaixamento da UPM. Os julgadores avaliam muito pelo peso da bandeira e não pelo desfile em si. Isso desanima quem se dedica ao Carnaval."
- Luiz Eduardo Morris (Império Serrano): "A UPM não foi inferior em nenhum quesito. Ela acabou sendo garfada, como o Império já foi outras vezes. É o velho 'a escola que sobe sempre cai'."
- Pedro Felipe Simões (Mangueira): "A UPM fez um desfile digno de continuar no Grupo Especial, mas foi rebaixada por questões políticas, por não ter uma bandeira 'forte'. Essa visão precisa mudar urgentemente."
- Tatiana Mestrinho (Salgueiro): "A escola estava linda. O melhor ensaio técnico que vi foi da UPM. Houve ali preconceito religioso ou a velha mania de derrubar quem veio de baixo."
- Barbara Barreto (Unidos da Tijuca): "Houve vários erros no julgamento da UPM. A escola merecia ficar. A atuação da presidente incomodou outras lideranças e isso influenciou negativamente o julgamento."
A polêmica do "excesso de iorubá"
O episódio mais controverso foi o desconto de um décimo dado pela julgadora Ana Paula Fernandes sob a alegação de "excesso de termos em iorubá". A atitude foi duramente criticada:
- Pedro Felipe: "É um completo absurdo. Escola de samba é expressão negra, afro-brasileira. Isso foi má vontade, desconhecimento histórico, talvez até má fé."
- Barbara: "Foi racismo religioso, intolerância. O enredo exaltava mulheres da raiz afro-brasileira. A crítica à linguagem revela o preconceito."
- Tatiana: "Carnaval é cultura, e isso deve ser incentivado. A julgadora errou feio — isso não é critério."
Recurso negado e a busca por um julgamento mais justo
O recurso apresentado pela UPM para revisão das notas foi negado pela Liesa, gerando ainda mais indignação. Os entrevistados clamam por mudanças para que o rebaixamento das escolas ascendentes não se torne uma regra:
- Geisa: "Existe uma tradição nociva: quem entra no sorteio como primeira escola, nunca vence. Isso precisa acabar."
- Thamires: "É preciso ter julgadores qualificados. Alguém sem conhecimento de percussão não pode avaliar bateria. Alguém sem noção de moda não pode julgar fantasias."
- Pedro Felipe: "O público já superou esse preconceito. Apoia qualquer escola, tenha ela subido ou não."
- Luiz Eduardo: "A solução está na despolitização da Liga. Já se disse que certas escolas só se mantêm com apoio 'do bicho'. Isso interfere nos resultados."
- Tatiana e Barbara: "A escola que sobe não deveria ser julgada no primeiro ano. A Liesa poderia garantir pelo menos um ano de permanência no Especial."
O que esperar do futuro?
A polêmica do rebaixamento da UPM reacende o debate sobre os critérios de julgamento e a necessidade de valorizar a diversidade e a inovação no Carnaval. Resta saber se a Liesa irá ouvir as vozes das ruas e promover as mudanças necessárias para garantir um espetáculo mais justo e representativo.