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Vila Isabel brilha no Carnaval 2026 com Heitor dos Prazeres e mira o título!

Vila Isabel brilha no Carnaval 2026 com Heitor dos Prazeres e mira o título!

Vila Isabel Brilha na Sapucaí em Homenagem a Heitor dos Prazeres!

A Unidos de Vila Isabel encantou a Marquês de Sapucaí com um desfile memorável, uma verdadeira celebração da vida e obra do multiartista Heitor dos Prazeres. Com o enredo "Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África", a escola da Zona Norte apresentou uma jornada poética e visual que arrancou aplausos e emoção do público, reafirmando sua identidade e ancestralidade no Carnaval.

A Visão Criativa de Bora e Haddad

A dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, em sua marcante apresentação na escola, demonstrou mais uma vez sua genialidade. Conseguiram imprimir uma estética única, combinando a plástica artística com a rica ancestralidade da Vila Isabel. O enredo foi habilmente explorado, não como um sonho literal, mas como um modo de fabular o mundo através da vida cotidiana, da festa, da fé e das experiências coletivas. Essa abordagem conectou a obra de Heitor dos Prazeres à própria essência das escolas de samba, entendidas como espaços de imaginação compartilhada, celebração da ancestralidade e afirmação da identidade negra.

O desfile abriu com a infância de Heitor, entre ranchos carnavalescos e as casas de Tia Ciata e Tio Hilário, antecipando o artista e sambista que ele se tornaria. O segundo setor mergulhou em sua iniciação nos terreiros, especialmente na casa de Tia Ciata, onde se tornou ogã, responsável pelos tambores e cantos. Em seguida, a escola mostrou a afirmação de Heitor como sambista nos anos 1920, consolidando-se como compositor, músico e personagem central do universo do samba, com referências à boemia carioca e à confecção de instrumentos. O quarto setor celebrou Heitor como compositor de carnaval vitorioso, convivendo com figuras como Paulo da Portela e Cartola. O último quadro apresentou o multiartista reconhecido além do samba: cenógrafo, figurinista, radialista, compositor de trilhas, participante da primeira Bienal de São Paulo e representante brasileiro no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dakar, onde sua trajetória se cruzou com a da própria Vila Isabel.

Samba-Enredo: A Alma da Avenida Pulsando Forte

Considerado uma das joias da safra, o samba-enredo da Vila Isabel, assinado pelos compositores André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho Cruz, superou qualquer dúvida pré-carnaval e ecoou com uma potência impressionante pela Avenida. A cabeça do samba, com suas notas mais retas, remeteu a clássicos de Martinho da Vila e sambas de roda, conferindo um charme inconfundível e um caráter único na safra. O intérprete Tinga, em uma atuação digna de seus melhores tempos, e a bateria "Swingueira de Noel", sob o comando de Mestre Macaco Branco, que adicionou bossas de ijexá para Oxum e alá para Xangô no refrão principal, garantiram que a comunidade cantasse em uníssono, transformando a Sapucaí em um coro gigante. O andamento mais acelerado não tirou a personalidade da obra, mas sim conferiu a energia necessária para inflamar a Avenida.

Destaques que Fizeram a Diferença

  • Comissão de Frente: Coreografada por Alex Neoral e Márcio Jahú, a comissão foi um espetáculo de transformação. Os componentes, vestidos inicialmente como antigos ranchos, metamorfosearam-se em ogãs, com um elemento alegórico que se convertia de ateliê de Heitor em um vibrante terreiro. Uma performance conceitual e impecável, com bailado excelente e a proposta do enredo muito bem contada.
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, em seu retorno triunfal, representaram Oxum e Xangô, orixás que guiaram a trajetória de Heitor dos Prazeres. Com figurinos ricos em simbolismo (saia adornada com espelhos e pincéis, elementos associados às divindades) e uma coreografia elegante e precisa, a dupla brilhou nas cabines de julgamento, com mesuras, rodopios e o passo afro de Raphael.
  • Fantasias e Alegorias: O conjunto estético foi uma explosão de cores, fiel à paleta de Heitor dos Prazeres e à identidade da Vila. As fantasias, criativas e com a marca dos carnavalescos, contaram a história do artista desde sua infância nos ranchos até seu reconhecimento internacional. As cinco alegorias e três tripés, com seu volume característico e apuro artesanal, recriaram desde um rancho carnavalesco e um terreiro que se expandia pela cidade, até a Festa da Penha, a quadra da escola e o encontro de Heitor com as Áfricas em Dakar. O abre-alas, com seu trabalho artesanal e efeitos de água, foi um dos carros mais bonitos da noite.
  • Evolução e Harmonia: A escola demonstrou uma desenvoltura notável na pista, com um ritmo forte e componentes animados, mesmo com as fantasias volumosas. A harmonia foi um ponto alto, com a comunidade cantando o samba-enredo do início ao fim, reforçando a potência da obra. Houve apenas um pequeno e isolado problema de buraco no último setor, que deve ser uma nota de descarte.
  • Outros Brilhos: A rainha de bateria Sabrina Sato, representando as tintas que dão cor aos sonhos, os passistas que encarnaram a boemia carioca com a fantasia "Jogo e Sedução", e a presença ilustre de Martinho da Vila no "Pede Passagem", foram momentos que adicionaram ainda mais magia ao desfile. As baianas, com seus chapéus e figurinos, simbolizaram a fusão cultural e a relação de Heitor com o matriarcado dos terreiros.

Um Legado Reafirmado na Avenida

A Vila Isabel não apenas desfilou, mas reafirmou sua raiz negra e seu compromisso com a cultura brasileira, celebrando um de seus maiores ícones com maestria e paixão. A apresentação da Unidos de Vila Isabel foi um marco, deixando a certeza de que a arte de Heitor dos Prazeres foi honrada com grandiosidade na Sapucaí, marcando o público e os jurados.

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