Vila Isabel: Sapucaí vira terreiro em ensaio técnico que emociona para 2026!
Vila Isabel Brilha na Sapucaí: Ensaio Técnico para o Carnaval 2026 Promete Emoções!
A Marquês de Sapucaí foi palco de um espetáculo de fé, ritmo e cultura na noite do primeiro ensaio técnico da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval 2026. Com o enredo "Macumbebê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África", a escola azul e branca transformou a avenida em um verdadeiro terreiro e quintal, demonstrando uma força coletiva e um potencial impressionante que já a posicionam como um dos grandes destaques da folia que se aproxima.
Desde o primeiro pisar na pista, a comunidade da Vila Isabel, embalada pela voz potente de Tinga, fez a Sapucaí vibrar. O canto catártico, sustentado com maestria pelo intérprete, revelou uma escola com o samba na ponta da língua e uma entrega que contagiou o público. A performance musical foi de alto rendimento, com pré-refrão e refrão principal explodindo na boca dos componentes, criando ondas sucessivas de resposta ao longo de todo o percurso. Tinga, um verdadeiro maestro do canto, soube como poucos incentivar a participação do público e da comunidade, culminando em um "paradão" arrebatador onde a Sapucaí inteira cantou em volume impressionante, evidenciando a força da obra e a adesão coletiva. Embora o canto tenha se mantido robusto, uma leve queda de intensidade na segunda metade do ensaio sugere um pequeno ajuste para garantir vigor total de ponta a ponta. No entanto, o saldo é amplamente positivo: um samba que convoca, emociona e transforma a avenida em um grande coro.
Um Terreiro a Céu Aberto: A Comissão de Frente que Encantou
A comissão de frente, coreografada por Alex Neoral e Márcio Jahú, foi um dos pontos altos da noite. Partindo de uma proposta dramatúrgica que remonta à relação intrínseca entre samba e macumba, a abertura do desfile encontrou na trajetória de Heitor dos Prazeres o eixo para afirmar a mútua constituição entre samba e religiosidade na cultura negra carioca. A maior parte dos bailarinos, vestidos de branco, remetia aos paramentos de iniciados no candomblé, configurando a cena como um espaço ritual. O personagem-pivô, representando Heitor dos Prazeres, vestido nas cores da escola, era o centro da narrativa, ladeado por bailarinos que incorporavam Oxum e Xangô. A coreografia, especialmente nos trechos "Ora yê yê ô, Oxum / Kabecilê Xangô", integrou movimentos associados à simbologia ritual dos orixás, estabelecendo com clareza a ideia de retorno ao terreiro, ao quintal, onde samba e macumba se misturam sem separação. A apresentação, sem didatismo ou efeitos grandiosos, apostou na força simbólica e na coerência dramatúrgica, com o destaque individual do personagem-pivô, que estabeleceu comunicação direta com o público. A entrada dos figurinos e acessórios na Sapucaí potencializou o sentido da cena, tornando a proposta ainda mais evidente e impactante.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A Dança que Conquistou a Avenida
Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vila Isabel, viveram uma noite memorável. Com uma performance de alto nível, marcada por entrosamento, vigor e refinamento estético, a dupla se afirmou como um dos grandes destaques do ensaio. Dandara, em prata, conduziu o pavilhão com graciosidade e elegância, enquanto Raphael, em terno branco, apresentou uma condução firme e precisa. Juntos, defenderam o pavilhão com domínio pleno da cena, articulando cortejo, bailado e apresentação de forma orgânica e envolvente. A dança do casal se impôs pela sintonia nos movimentos e pela clareza com que dialogou com o enredo. Momentos como a entrada de Dandara com rápidas bandeiradas e giros velozes, instaurando uma "dimensão onírica", e a transformação da coreografia no refrão principal, com a incorporação dos gestos de Oxum e Xangô, foram de grande impacto sensorial e simbólico, potencializados pela alteração da iluminação da pista. A inventividade também se fez presente quando simularam o gesto de "pintar" o próprio pavilhão, reforçando a relação entre dança e narrativa. Dandara se destacou pela elegância e qualidade dos giros, que ganharam força e projeção na Sapucaí. A dupla demonstrou todos os elementos necessários para alcançar a pontuação máxima no desfile oficial, pavimentando uma defesa de pavilhão que promete emocionar público e jurados no Carnaval de 2026.
Evolução Fluida e Estratégica: O Caminho para a Perfeição
A evolução da Vila Isabel no ensaio técnico foi marcada pela naturalidade, controle e segurança, construindo uma apresentação fluida e bem distribuída no tempo. A familiaridade da comunidade com o samba permitiu que as alas evoluíssem com confiança e leveza, com os componentes brincando, interagindo e dialogando com o público. O ritmo, inicialmente mais rápido, tornou-se cadenciado após a passagem dos primeiros módulos de julgamento, garantindo melhor acomodação das alas. A escola soube criar diferentes momentos dentro da evolução, utilizando estrategicamente efeitos visuais como luzes azul e branca e fogos de artifício dos totens alegóricos, que funcionaram como elementos dinamizadores, renovando a energia dos componentes e evitando a linearidade. A condução do segundo recuo da bateria foi exemplar, realizada com tranquilidade e boa leitura de pista, sem rupturas ou desorganização. O saldo da evolução é amplamente positivo, com a Vila Isabel demonstrando um controle que aponta para um desfile oficial impecável.
Destaques que Fizeram a Diferença
- A bateria "Swingueira de Noel", comandada por Mestre Macaco Branco, teve um papel central no rendimento da escola. Em diálogo afinado com a ala musical, a bateria apresentou um desempenho de alto nível, executando bossas pensadas para a obra e sustentando com segurança a pulsação da escola ao longo de todo o percurso.
- A presença da rainha de bateria Sabrina Sato, desfilando com uma fantasia nas cores do Brasil, adicionou um toque especial. Além de sua presença cênica, Sabrina protagonizou momentos de afeto e descontração ao interagir com Gael, filho do Mestre Macaco Branco, criando cenas de muita fofura na Avenida.
Em suma, a Unidos de Vila Isabel entregou um ensaio técnico que foi muito além de um simples treino. Foi uma declaração de intenções, um convite à ancestralidade e uma demonstração de que a escola está no caminho certo para um Carnaval 2026 inesquecível, repleto de emoção, samba e muita fé.
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