Viradouro: O carro místico de atabaques que levou axé e fé pura pra Sapucaí!
Viradouro Encanta a Sapucaí: Fé, Axé e a Força dos Atabaques em Busca do Bi!
A Unidos do Viradouro transformou a Marquês de Sapucaí em um palco de pura fé e misticismo, apresentando um desfile memorável que celebrou a ancestralidade e a busca por mais um título. Terceira escola a cruzar a Avenida na segunda-feira, a vermelho e branco de Niterói levou o enredo "Para cima, Ciça!", uma emocionante homenagem ao mestre de bateria que marcou gerações.
"Atabaque Mandou Te Chamar": Misticismo e Proteção Espiritual
No quarto carro alegórico, batizado de "Atabaque Mandou Te Chamar", a Viradouro mergulhou de cabeça no universo afro-brasileiro. A alegoria, assinada pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e com texto do enredista Gustavo Melo, foi um verdadeiro espetáculo de simbolismo, reunindo serpentes e seres híbridos que dialogam com o vodun Dangbé – figura central do desfile campeão de 2024 – e com as águas sagradas de Oxum. A energia dos atabaques, fundamento religioso do setor, reafirmou a força do axé na incansável busca por mais um campeonato.
A Voz da Fé: Desfilantes Compartilham Emoções
Quem vivenciou a alegoria de perto compartilhou a intensidade da experiência:
- Egili Oliveira, professora de afro-samba e veterana na escola desde 2018, descreveu uma conexão profunda: "Quando o atabaque toca, o meu corpo se arrepia todo, parece que eu entro em transe. E acredito que quando eu subir nesse carro não vai ser diferente". Ela também vê as serpentes como um amuleto da sorte, "a sensação de que a gente vai voltar campeã".
- Luciana Santos, educadora infantil de 23 anos e estreante na Viradouro, foi direta sobre a importância dos tambores: "Eu sou uma pessoa que também sou do candomblé e acho que sem o atabaque não tem axé". Para ela, representar o ano campeão é uma honra.
- Ruth Silva, quiropraxista e massoterapeuta de 26 anos, também em seu primeiro desfile, sentiu a força da ancestralidade: "Realmente remete à ancestralidade, eu sinto que é algo mais forte, mais quente. Acho que passa uma mensagem bastante forte". Ela se arrepiou ao ver o carro pela primeira vez, sentindo que "vai dar bom".
Rituais de Proteção: A Fé que Move a Sapucaí
Antes de pisar na Avenida, a fé se manifesta em rituais pessoais de proteção:
- Egili Oliveira, que se assume "macumbeira" e bisneta de feiticeiro, garante suas "firmas" e proteções: "A gente precisa conversar com o sagrado antes de pisar numa avenida ou subir num carro onde tem tambores".
- Luciana Santos não abre mão de sua proteção de Carnaval, feita no terreiro com sua mãe de santo, pedindo sempre a guarda de Oxum e Oxóssi para a vitória.
- Ruth Silva, por sua vez, tem uma "mania" mais ligada à performance: "Meu ritual antes de desfilar é começar a sambar e cantar o hino".
Com serpentes que remetem ao título de 2024 e a energia contagiante dos atabaques, a Unidos do Viradouro demonstrou que a fé e a ancestralidade são pilares fundamentais em sua jornada rumo a mais uma glória no Carnaval carioca. Uma apresentação que não só encantou, mas também reafirmou a profunda conexão da escola com suas raízes e sua determinação em buscar o bicampeonato.
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