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Acari: Exu abre caminhos e terreiro vira arte no Carnaval da Sapucaí!

Acari: Exu abre caminhos e terreiro vira arte no Carnaval da Sapucaí!

União do Parque Acari Brilha na Sapucaí com "Brasiliana": Uma Celebração de Identidade e Fé!

A Marquês de Sapucaí foi palco de uma poderosa declaração cultural e política na última sexta-feira, quando a União do Parque Acari desfilou pela Série Ouro. Com o enredo "Brasiliana", assinado pelo carnavalesco Guilherme Estevão, a agremiação não apenas buscou uma vaga no Grupo Especial de 2027, mas também abriu seu desfile com uma mensagem impactante sobre pertencimento e a riqueza da cultura afro-brasileira.

O Abre-Alas que Contou uma História

O primeiro carro da Acari foi um espetáculo à parte, representando a formação e o batismo do "Grupo dos Novos", o embrião do que viria a ser o enredo "Brasiliana". A alegoria destacou o terreiro como um espaço fundamental de formação artística e afirmação cultural, um verdadeiro ponto de virada estética e identitária. Foi nos terreiros de candomblé, especialmente no histórico Ilê de Joãozinho da Gomeia, que o grupo buscou a essência de sua musicalidade e representações cênicas, transpondo essa força para a Avenida.

Exu: O Guardião dos Caminhos na Sapucaí

A ambientação do abre-alas evocava o "xirê", a roda de orixás, reafirmando o sagrado como fonte criadora. Na parte frontal, a figura imponente de Exu, orixá da comunicação entre o visível e o invisível, conduzia a narrativa visual. Frequentemente mal compreendido, Exu surgiu ali ressignificado, central e majestoso, desafiando preconceitos e celebrando sua verdadeira essência como um abridor de caminhos.

Esculturas de homens negros, com trajes inspirados nos bailarinos do grupo, reforçavam a dimensão estética e política da obra. Estamparias e referências ao Ilê da Gomeia permeavam a composição, culminando com a imagem de Joãozinho da Gomeia no alto, abençoando a cena como um símbolo de orientação espiritual e artística.

A Emoção da Comunidade na Avenida

A imponência do abre-alas emocionou profundamente os componentes na concentração. Marcos Lima, técnico de informática, descreveu o carro como "espetacular" e "imponente", destacando a importância de "pedir licença para Exu, abrir os caminhos". Marleno, técnico de radiologia, reforçou a simbologia: "Exu é caminho aberto. Preconceito cultural sempre tem em relação a nossa religião, as pessoas têm a cabeça muito fechada".

Gina Rumy, comerciante, ressaltou o impacto visual das "cores vibrantes que chamam muita atenção e riqueza visual para a escola". Para Tatiana Pereira, engenheira, a alegoria representou mais que estética: "Senti um destaque para nossa comunidade, sendo representada na Avenida. A emoção das pessoas que contempla tudo isso".

Sapucaí: Sala de Aula e Altar

A presença de símbolos do terreiro no abre-alas foi compreendida como uma poderosa afirmação do protagonismo negro em um palco de grande visibilidade. A Avenida, nesse sentido, se transformou em uma verdadeira sala de aula e altar, onde a história de um grupo que encontrou nos terreiros a base de sua expressão artística foi contada. A União do Parque Acari conseguiu a proeza de transformar o sagrado em espetáculo sem esvaziá-lo de sentido, reafirmando que abrir caminhos é, antes de tudo, reconhecer e celebrar as origens. Com fé, memória e uma inabalável afirmação cultural, a comunidade de Acari segue seu desfile rumo ao sonho do acesso ao Grupo Especial.

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