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Vigário Geral: Baianas são a memória viva do samba e a força da mulher no Carnaval!

Vigário Geral: Baianas são a memória viva do samba e a força da mulher no Carnaval!

As Baianas da Vigário Geral: Guardiãs da Memória e da Alma do Samba na Sapucaí!

No Carnaval 2024, a Acadêmicos de Vigário Geral transformou a Marquês de Sapucaí em um palco vibrante de história e resistência, especialmente através de sua emblemática ala das baianas. Batizada de "Relatos Sertanistas – Pergaminhos: as histórias que giram", a ala, inserida no enredo "Brasil Incógnito – O Que os Seus Olhos Não Veem, a Minha Imaginação Reinventa", não apenas representou cartas e registros oficiais da história do Brasil, mas também evocou com maestria aquilo que nunca coube nos documentos: a memória viva e pulsante da cultura afro-brasileira, transmitida através dos corpos, das famílias e da oralidade. Com seus giros de saia, as baianas reforçaram a proposta da escola de revisar criticamente o imaginário colonial, invertendo a lógica do colonizador e celebrando a identidade brasileira sob uma ótica de reinvenção e antropofagia cultural. Este segmento vital do desfile, que se apresentou como a sétima escola da primeira noite da Série Ouro, é um pilar de memória, resistência, espiritualidade e comunidade, ilustrando como a tradição do samba é um legado inabalável. Através de depoimentos emocionantes de suas integrantes, fica claro que ser baiana é muito mais do que vestir uma fantasia; é um ato de reverência, um compromisso com a ancestralidade e a preservação de uma cultura que, por mais que tentassem, nunca pôde ser apagada. A ala das baianas da Vigário Geral é um testemunho vivo da força feminina e da essência do Carnaval, um verdadeiro alicerce que carrega o axé e a história de uma nação.

O Significado por Trás dos Giros: Uma Viagem Histórica e Cultural

Com o tema "Relatos Sertanistas – Pergaminhos: as histórias que giram", a ala das baianas da Vigário Geral mergulhou fundo na narrativa brasileira, apresentando-se como um grande livro aberto. Cada giro de saia era um capítulo, revelando tanto os registros oficiais quanto as histórias não contadas, aquelas que resistem na memória coletiva e na oralidade. Foi um poderoso manifesto contra o imaginário colonial, celebrando a riqueza da identidade brasileira e a resiliência da cultura afro-brasileira.

Vozes da Tradição: O Coração da Ala das Baianas

A força da ala é personificada em suas integrantes, que compartilham uma conexão profunda com o samba e sua história. Conheça algumas dessas guardiãs:

Maria Inês Ramos Silva, 66 anos: Arquiteta e com uma década na escola, Maria Inês descreve a experiência como um ato de reverência aos ancestrais. "Eu sinto que estamos representando os nossos ancestrais. A nossa cultura afro-brasileira nasceu conosco. O samba nasceu conosco. É uma cultura que, por mais que tentassem, não conseguiram apagar. Nós estamos aqui representando exatamente isso", afirma. Para ela, ser baiana é assumir o papel de guardiã da memória e da ética do samba, com um forte apelo ao respeito, especialmente pelos mais velhos.

Maria Nazaré, 69 anos: Irmã de Maria Inês e também com cerca de dez anos na ala, a médica Maria Nazaré expressa a emoção de dar continuidade a uma linhagem que considera fundamental para a identidade das escolas de samba. "É uma emoção incrível, porque estamos dando continuidade à tradição de uma ala que está nas raízes da escola. Somos as mães do samba. É a maternidade de um filho que você não pariu", descreve. Ela relembra que o samba é uma herança familiar que atravessa gerações e que desfilar de baiana se tornou uma escolha definitiva.

Letícia Martins, 39 anos: Pedagoga e representando uma geração mais jovem, com três anos na escola, Letícia relata a força simbólica que sente ao entrar na avenida. "Eu sinto a ancestralidade. É como se a própria história do Carnaval estivesse sendo contada ali, através da fantasia e da ala. É uma sensação muito forte de conexão", afirma. Primeira de sua família a cruzar a Sapucaí, Letícia enxerga na ala das baianas um compromisso com a preservação da história do samba.

Juciara da Conceição, 61 anos: Juciara destaca o sentido ritualístico do movimento das saias rodadas. "Eu sinto que levo o poder do movimento. Quando a gente gira, aquela saia enorme cria um redemoinho que parece limpar o caminho para a escola passar. É como se eu estivesse carregando o axé e uma energia de cura", descreve. Ela ressalta a importância de preservar a memória do acolhimento no barracão e como o samba entrou em sua vida como "cura e redescoberta". Para Juciara, ser baiana representa a "soberania feminina" e o "alicerce" da festa, um fundamento essencial para a escola competir.

Um Legado Que Gira: A Essência Inabalável do Samba

A ala das baianas da Acadêmicos de Vigário Geral no Carnaval 2024 foi um espetáculo de beleza, tradição e profundo significado. Através de suas fantasias e, principalmente, da paixão e dedicação de suas integrantes, a escola reafirmou o papel vital dessas mulheres como guardiãs da memória, da cultura afro-brasileira e da própria alma do samba. Elas não apenas desfilam; elas contam histórias, celebram a ancestralidade e garantem que o legado do Carnaval continue a girar, forte e vibrante, por muitas gerações.

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