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Inocentes de Belford Roxo: Rússia e Frevo no Carnaval! Veja o que rolou!

Inocentes de Belford Roxo: Rússia e Frevo no Carnaval! Veja o que rolou!

Inocentes de Belford Roxo: A Inusitada União da Rússia com Pernambuco na Sapucaí!

Prepare-se para uma viagem cultural sem precedentes! A Inocentes de Belford Roxo, escola da Baixada Fluminense, ousou e levou para a Marquês de Sapucaí um dos enredos mais criativos e surpreendentes da temporada: "O Sonho de Um Pagode Russo Nos Frevos do Meu Pernambuco". Sob a batuta do carnavalesco Edson Pereira, a agremiação costurou as estepes russas com o vibrante chão nordestino, entregando um desfile tecnicamente equilibrado e repleto de momentos plásticos memoráveis.

Uma Viagem Inesperada: Rússia Encontra Pernambuco!

A proposta da Inocentes não se limitou ao exotismo visual. Inspirada na obra de Luiz Gonzaga, a narrativa defendeu, com clareza, a ideia de que, no universo do samba, as distâncias geográficas se dissolvem ao som da sanfona. O resultado foi um "casamento matuto na neve" que cativou o público e os olhares atentos da Avenida, construindo um fio condutor claro e envolvente.

Destaques que Brilharam na Avenida

Comissão de Frente: Um Espetáculo à Parte

Coreografada por Patrícia Salgado e Sérgio Lobato, a comissão de frente foi um verdadeiro cartão de visitas. Quinze bailarinos — sete representando a estética russa, sete a pernambucana e um sanfoneiro em um tripé cenográfico — entregaram clareza dramatúrgica e impacto visual. A coreografia evoluiu do chão para o alto do tripé, com os bailarinos retirando sobreposições para revelar figurinos coloridos de frevo. O clímax? Faíscas brilhantes surgindo dos guarda-chuvas e do topo do tripé, selando a união cultural proposta pelo enredo com maestria.

Alegorias e Fantasias: Um Banquete Visual

A Inocentes apresentou três alegorias bem preenchidas, com iluminação funcional e ocupação cênica coerente, sustentando a narrativa de forma impecável. O abre-alas, "O Sonho de Pedro, o Grande, no Paço do Frevo", foi um show à parte, fundindo a arquitetura de São Petersburgo com o carnaval recifense em uma leitura imediata e sem ruídos. A segunda alegoria trouxe uma divertida estética de festa junina sob uma lente imperial, enquanto o terceiro carro, mais sóbrio, apostou em cores como preto e dourado e elementos do frevo para um dinamismo visual marcante.

As fantasias seguiram a coerência narrativa, com uma transição cromática que acompanhava a dramaturgia do enredo, passando de tons sóbrios e frios para as explosões de cor associadas ao frevo e ao São João. No entanto, em algumas alas, como a dos bonecos de Olinda, foram notadas pequenas falhas de finalização, um detalhe que, em um julgamento técnico, pode ser observado.

Samba, Harmonia e Evolução: O Coração da Escola

O samba-enredo, defendido com maestria por Ito Melodia e a ala musical, ressoou com a comunidade, que cantou forte e com paixão. A harmonia foi crescendo a partir do segundo setor, ganhando volume e consistência. A evolução da escola mostrou um desenho organizacional bem estruturado, com alas compactas, bom alinhamento e cadência ajustada ao andamento do samba, sem acelerações ou arrastos. As transições entre as alegorias foram fluidas, mantendo a unidade visual.

Um ponto de atenção surgiu pouco antes do módulo 3, quando a ala de passistas abriu um espaço significativo na pista. Apesar da rápida recomposição, o intervalo foi perceptível. Ainda assim, a escola conseguiu retomar o controle e manter a regularidade até a dispersão, demonstrando organização e consciência espacial.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: A Dança da Tradição

O primeiro casal, Vinicius Jesus e Thainá Teixeira, realizou uma apresentação tradicional e sincronizada, com rodopios e uma conexão evidente. O mestre-sala protegeu o pavilhão com veemência, incorporando passos de frevo em trechos estratégicos do samba. A porta-bandeira exibiu carisma e interação constante, apesar de leves dobras na bandeira em dois momentos, sem caracterizar falha grave. Com figurinos em cores quentes, a dupla foi aplaudida pelo público presente.

Outros Momentos Marcantes

  • A bateria pontuou a narrativa com bossas em alusão ao frevo e ao São João, criando uma identidade sonora única para o enredo.
  • A rainha Carolane Silva brilhou com samba no pé e uma linda fantasia, esbanjando carisma pela Avenida.
  • A emocionante presença da Velha Guarda na segunda alegoria, ocupando um lugar de honra, trouxe equilíbrio e emoção ao setor, em meio à mistura cultural.
  • A ala de passistas, apesar do incidente pontual, entregou vibração, gingado e domínio de pista, com fantasias leves que favoreciam o movimento e a conexão direta com a bateria.

A Inocentes de Belford Roxo, com seu enredo audacioso e execução competente, deixou sua marca na Sapucaí, provando que a criatividade e a paixão podem unir mundos distantes em uma festa inesquecível. Um desfile que, apesar dos pequenos ajustes a serem feitos, certamente será lembrado pela originalidade e pelo impacto visual.

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