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Jacarezinho: Xande de Pilares emociona em desfile de superação na Sapucaí!

Jacarezinho: Xande de Pilares emociona em desfile de superação na Sapucaí!

Unidos do Jacarezinho: Um Retorno de Garra e Desafios na Sapucaí

Após 13 anos longe da Marquês de Sapucaí, a Unidos do Jacarezinho protagonizou um reencontro emocionante, mas repleto de desafios, ao abrir os desfiles da Série Ouro. A escola da Zona Norte do Rio de Janeiro prestou uma tocante homenagem a Xande de Pilares com o enredo "O Ar que se respira agora inspira novos tempos", celebrando o samba nascido e cultivado na favela.

Apesar da paixão e resiliência da comunidade, a agremiação enfrentou sérios obstáculos, principalmente decorrentes de um incêndio recente que comprometeu fantasias e alegorias. Isso resultou em dificuldades na compreensão do enredo e em penalizações esperadas na apuração.

O Enredo: Uma Declaração de Amor ao Samba de Xande de Pilares

Assinado pelo carnavalesco Bruno de Oliveira, o enredo foi estruturado como um álbum de memórias afetivas, dividido em três setores que percorreram a trajetória do artista:

  • Origens e Primeiros Versos: O primeiro setor, "O Ar que se respira agora inspira novos tempos", mergulhou na infância de Xande, na Folia de Reis, na influência do rádio e nos primeiros versos que o transformaram em poeta. O abre-alas, "No Jacarezinho deu nó na tristeza e fez da vida carnaval", com a velha guarda no carro, simbolizou o início de sua carreira na favela.
  • Carreira no Carnaval: O segundo setor, "Pinto de Rosa e Branco a Inspiração", celebrou a trajetória de Xande como compositor de sambas-enredo marcantes, destacando sua forte ligação com o Salgueiro, com a alegoria "Salgueirense da Cabeça aos Pés".
  • Consagração na Favela: O último setor, "Coroado na Favela", apontou para a consagração do artista, sintetizada na alegoria "É Deus Quem Aponta a Estrela Que Tem Que Brilhar", que trouxe Xande, sua família e amigos próximos, representando a estrela que nasceu no morro e iluminou o país.

Desafios Visuais: O Impacto do Incêndio

O incêndio na quadra, ocorrido em fevereiro, deixou marcas visíveis na avenida. A precariedade das fantasias e alegorias foi um ponto crítico que dificultou a leitura do enredo:

  • Fantasias: Três alas desfilaram sem fantasias completas, usando apenas camisetas da comunidade. A bateria também apresentou vestimentas incompletas, e a ala das baianas, com poucas integrantes, desfilou com roupas brancas de texturas distintas. Apenas algumas alas, como as de passistas, crianças e compositores, conseguiram apresentar fantasias completas.
  • Alegorias: As três alegorias apresentaram problemas de concepção e acabamento, com madeira exposta e falta de adereços, o que deve resultar em penalizações na apuração.

Destaques e Pontos Fortes

Apesar das adversidades, a Unidos do Jacarezinho mostrou pontos de brilho e muita garra:

  • Comissão de Frente: "O Verso que encantou o Poeta", coreografada por Akia de Almeida, foi modesta, mas competente. Com 15 componentes (bate-bolas e um ator interpretando Xande), a apresentação simbolizou o momento inaugural em que a palavra virou destino, culminando com o "Xande" performando com um cavaquinho.
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira: O primeiro casal, Maycon Ferreira e Lorenna Brito, com a fantasia "Estrela da Inspiração", executou uma dança correta, vigorosa e elegante, representando o brilho que guiou a obra do homenageado.
  • Samba-Enredo: Composto por Paulinho Bandolim e equipe, o samba foi elogiado por sua letra clara e de fácil compreensão, cumprindo seu papel de homenagear Xande. O refrão animou as frisas e arquibancadas, mostrando que a obra merecia um desfile à sua altura.
  • Ala das Crianças: Pequena, mas com fantasias didáticas e bem-feitas, foi um charme no desfile, trazendo leveza em meio às dificuldades.

Penalizações à Vista: Evolução e Harmonia

A escola enfrentou problemas nos quesitos técnicos que devem impactar a pontuação na apuração:

  • Evolução: Foram observados dois buracos na pista, especialmente durante as apresentações da bateria. A escola ultrapassou o tempo máximo permitido, finalizando o desfile em 57 minutos (dois minutos a mais que o limite de 55), o que acarretará a perda de 0,2 décimos. Os componentes, embora animados, aparentavam estar abatidos e não sambaram com o vigor esperado.
  • Harmonia: O canto da comunidade foi irregular devido ao ritmo instável na avenida, apesar da condução magistral dos intérpretes Aílton Santos e Thiago Acácio.

Em resumo, o retorno da Unidos do Jacarezinho à Sapucaí foi um ato de pura resiliência e amor ao Carnaval. A paixão pelo samba e a homenagem a Xande de Pilares foram evidentes, mas as cicatrizes do incêndio e os desafios técnicos comprometeram o desempenho geral da escola, que, apesar de todo o esforço e superação, deve ser penalizada em diversos quesitos na apuração. Um desfile marcado pela força da comunidade e pela capacidade de transformar perdas em resiliência.

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