Neguinho da Beija-Flor não desfila em 2027: "Me senti um peixe fora d'água"
Neguinho da Beija-Flor: O Adeus Definitivo da Passarela e um Legado Eterno
Após meio século de uma história inigualável, Neguinho da Beija-Flor, a voz que embalou gerações, anuncia que não desfilará no Carnaval de 2027. A decisão marca um novo capítulo na trajetória do ícone, que opta por assistir à sua amada Beija-Flor de Nilópolis da arquibancada, como um torcedor apaixonado.
Um Legado de Ouro e 50 Anos de Avenida
A despedida do microfone principal da Soberana de Nilópolis aconteceu em 2025, coroada com um desfile campeão, um final digno para uma era. Em 2026, Neguinho aceitou o honroso título de baluarte, desfilando com uma faixa bordada que representava seu lugar entre as grandes figuras da agremiação, como Pinah, Sonia Capeta e Tia Débora.
Sua contribuição vai muito além do canto. Neguinho é o autor de clássicos atemporais que se tornaram hinos do Carnaval, como "A Deusa da Passarela" e o samba que rendeu o primeiro campeonato da escola em sua estreia, "Sonhar com Rei Dá Leão", em 1976. Ele também assinou "A Criação do Mundo na Tradição Nagô" (1978) e "A Grande Constelação de Estrelas Negras" (1983), solidificando seu nome como um dos maiores compositores da folia.
"Peixe Fora D'água": A Razão da Decisão
Apesar da honra de ser baluarte, a experiência de desfilar sem o microfone não fez sentido para o artista. "Eu sempre fiz aquilo, sempre cantei. A minha participação com a Beija-Flor era sendo a voz, sendo o canto", explicou. Neguinho revelou o desconforto de se sentir "um peixe fora d’água", com um "sorriso forçado" e a sensação de que os 23 minutos de desfile não passavam nunca, em contraste com a fluidez do tempo quando estava cantando.
Para ele, a essência de sua participação sempre foi a performance vocal, e a ausência desse papel o deixou deslocado. "Não foi legal. A gente fica com um sorriso forçado e achando que tinha que passar uma alegria…", desabafou sobre a experiência de 2026.
O Amor Inabalável e o Futuro na Arquibancada
Mesmo com a decisão de não desfilar, o amor de Neguinho pela Beija-Flor permanece intacto. "Eu amo a Beija-Flor. Se não fosse a Beija-Flor, nada disso estaria acontecendo na minha história. A Beija-Flor é a minha vida, meu amor", declarou. Para 2027, ele já tem planos: "Estarei assistindo lá com a camisa da Beija-Flor, torcendo como público. Não como parte do desfile", afirmou, mostrando que sua paixão pela escola transcende qualquer função na Avenida.
O artista está certo de que seu legado não será esquecido, comparando-se a grandes mestres como Jamelão, Paulo da Portela e Laíla. "Não vou ser esquecido tão cedo, mesmo não participando. É assim como o meu mestre Jamelão, assim como os grandes…", concluiu, reforçando a imortalidade de sua arte e sua marca no Carnaval.
A Reação da Presidência da Beija-Flor
A notícia da decisão de Neguinho surpreendeu a diretoria da Beija-Flor. O presidente da escola, Almir Reis, soube do fato pelas redes sociais e expressou sua incredulidade. "Prefiro acreditar que é mentira", declarou Almir Reis, evidenciando o impacto da notícia e a forte ligação do intérprete com a agremiação. A Beija-Flor, que levará para a Avenida o enredo "Zeneida: O Sopro do Pó de Louro" no primeiro dia de desfiles de 2027, segue focada em sua busca por mais um título.
#NeguinhoDaBeijaFlor #Carnaval2027 #BeijaFlorDeNilópolis #LegadoDoSamba #ÍconeDoCarnaval #SambaEnredo