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Padre Miguel dá show na Série Ouro e mostra que merece o Grupo Especial!

Padre Miguel dá show na Série Ouro e mostra que merece o Grupo Especial!

Unidos de Padre Miguel Brilha e Pede Passagem para o Grupo Especial!

A Unidos de Padre Miguel (UPM) deu um verdadeiro show na Marquês de Sapucaí, apresentando um desfile primoroso que, mais uma vez, elevou o patamar da Série Ouro. Com uma performance que muitos consideram digna do Grupo Especial, a escola da Vila Vintém reafirmou sua excelência e a paixão de sua comunidade, deixando claro que seu lugar é entre as grandes do Carnaval carioca.

O Boi Vermelho, como é carinhosamente conhecido, entregou um espetáculo de altíssimo nível, demonstrando que a qualidade de seus desfiles é uma constante, independentemente de recursos ou número de componentes. A agremiação mostrou uma comissão de frente de tirar o fôlego, um casal de mestre-sala e porta-bandeira em sintonia perfeita, fantasias deslumbrantes, alegorias impactantes, um samba que ecoou na boca do público e uma comunidade aguerrida que canta e brinca como poucas.

"Kunhã-Eté, o Sopro Sagrado da Jurema": Uma Homenagem Poderosa

Com o enredo "Kunhã-Eté, o Sopro Sagrado da Jurema", desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato, a UPM mergulhou na história e na força da indígena Clara Camarão. O desfile foi uma jornada em três atos, que emocionou e educou:

  • O nascimento encantado de Clara, evocando a profecia xamã e sua vinda ao mundo, flechada pela Mãe D’Água e banhada pelas águas do Potengi.
  • Seus feitos históricos e sua participação em batalhas contra os invasores holandeses, exaltando sua bravura.
  • Sua transformação em entidade sagrada que habita a Jurema, eternizada como guardiã do povo, da floresta e da história.

Milato conseguiu traduzir a ancestralidade, religiosidade, cultura e resistência potiguara com criatividade, produzindo uma estética indígena que foi muito além das penas e palhas, focando no encadeamento da narrativa e na diversidade das fantasias.

Detalhes que Fizeram a Diferença na Sapucaí

Comissão de Frente: Um Espetáculo Visual de Paulo Pinna

A comissão de frente, assinada por Paulo Pinna (que também coreografou a do Salgueiro), foi um dos pontos altos do desfile. Guardiões da memória e a própria Kunhã-Eté, em um tripé inovador que representava uma aldeia florescendo de troncos velhos e um espelho d'água com chafariz, encantaram pela sincronia da coreografia, o encadeamento dos fatos e a altíssima qualidade estética do figurino e do tripé. Um trabalho de nível de Grupo Especial.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Dança e Tradição Potiguara

O experiente casal Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas estreou na UPM encarnando o espírito potiguara. Vestidos de vermelho-urucum, símbolo de vitalidade e proteção, a dupla apresentou uma coreografia intensa, utilizando o espaço de forma eficiente e mesclando passos clássicos com movimentos que remetiam sutilmente ao enredo indígena, como o passo de ritual no refrão do meio.

Harmonia e Samba-Enredo: A Voz e a Garra da Comunidade

A voz potente do multicampeão Bruno Ribas, acompanhado pela talentosa Lissandra Oliveira, conduziu o carro de som com maestria. O samba-enredo, dos compositores Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, W. Corrêa, Richard Valença, Miguel Dibo e Cabeça do Ajax, rendeu muito na avenida, com um andamento que impulsionou a escola e refrões que convidavam à luta ("Vai, meu Boi Vermelho, honre a tua história") e à celebração ("Quando ecoa o tambor…"). A comunidade da Vila Vintém respondeu com uma energia contagiante, cantando o samba com garra, correção e intensidade do início ao fim, atendendo ao pedido da presidente Lara Mara de "botar para fu…".

Fantasias e Alegorias: Luxo, Criatividade e Narrativa Visual

O conjunto estético de Lucas Milato foi um show à parte, com fantasias que se destacaram pela volumetria, qualidade, criatividade e bom gosto, além do cuidado nos detalhes e acabamento. O carnavalesco mesclou o vermelho característico da escola com estampas indígenas, dourados e verdes, criando um tapete visual deslumbrante. Destaques para:

  • A primeira ala, "Troncos Velhos", pela riqueza de detalhes e volume.
  • As baianas "Kunhã Clara Guerreira", com o movimento circular das águas e das florestas.
  • As alas "Jurema Sagrada" e "Encantamento da Mata", que encerraram o desfile com a predominância do verde e a espiritualidade indígena.

As três alegorias apresentaram acabamento impecável, boa leitura, criatividade e volumetria, em consonância com a estética das alas:

  • "A Consagração de Kunhã-Eté" (abre-alas), representou o Rio Potengi e elementos míticos, com movimento na cauda da criatura aquática.
  • "A Batalha de Guararapes", retratando o cenário de guerra com leões sangrando e o exército luso-brasileiro.
  • "Território Encantado", considerada talvez a melhor alegoria da Série Ouro, com sua estrutura tomada por troncos, cipós e raízes, e a figura radiante de Clara em seu novo plano, exalando o verde de uma terra de encantaria.

Evolução: Ritmo, Emoção e Fluidez

A UPM dosou bem sua passagem pela Sapucaí, mantendo o ritmo e a intensidade do início ao fim, mesmo com a cronometragem máxima. A alegria, espontaneidade e garra dos componentes foram visíveis, e não foram identificados buracos, grandes espaçamentos ou alas se embolando. As poucas alas coreografadas, como a cênica "A Batalha de Tejucupapo", brilharam sem prejudicar a fluidez e a espontaneidade do componente, estando bem alinhadas com o contexto do enredo.

Para Guardar na Memória: Outros Momentos Marcantes

  • A bateria "Guerreiros", sob a coordenação de mestre Laion Jorge, fantasiada de "Invasores Holandeses", levantou a Sapucaí com coreografias (inclusive o gesto da flecha) e bossas indígenas bem encaixadas no samba.
  • A rainha Dedê Marinho, deslumbrante com sua fantasia "Resistência Indígena", que trazia o vermelho da terra viva no corpo, realçado por LEDs.
  • O esquenta emocionante com Bruno Ribas cantando o samba do ano anterior ("Egbé Iyá Nassô"), que incendiou a avenida.
  • O discurso inspirador da presidente Lara Mara, que inflamou a escola antes do samba, lembrando da força de renascimento do Boi Vermelho.

A Unidos de Padre Miguel entregou um desfile completo e emocionante, reafirmando sua capacidade de competir no mais alto nível do Carnaval. Fica a expectativa para ver o Boi Vermelho brilhar ainda mais e, quem sabe, conquistar seu merecido lugar no Grupo Especial!

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