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Parque Acari: Desfile de luxo e arte negra na Sapucaí! O que faltou?

Parque Acari: Desfile de luxo e arte negra na Sapucaí! O que faltou?

União do Parque Acari Brilha na Sapucaí com "Brasiliana": Uma Homenagem Vibrante à Cultura Negra!

A União do Parque Acari desfilou na Série Ouro do Carnaval 2024 com o enredo "Brasiliana", uma verdadeira joia cultural que mergulhou fundo na valorização da cultura afro-brasileira. Sob a batuta do talentoso carnavalesco Guilherme Estevão, a escola trouxe para a Sapucaí a história e o legado do primeiro grupo de teatro musical negro do Brasil, o Brasiliana, mostrando uma evolução notável em sua trajetória carnavalesca.

As alegorias e fantasias foram um espetáculo à parte: de muito bom gosto, coloridas e confeccionadas com materiais de qualidade, elas contaram a história de forma visualmente impactante. A comissão de frente, estreando Fábio Batista, sintetizou o enredo com uma performance simples, mas esteticamente impecável, transformando a ancestralidade em arte. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Amanda Poblete, pisou firme na avenida, com um bailado clássico e eficiente que arrancou aplausos.

O Que Deu Certo e O Que Pode Melhorar

Se, por um lado, o visual e a proposta artística da Acari foram um acerto, os "quesitos de chão" apresentaram alguns desafios. O canto dos componentes, por exemplo, deixou a desejar, com muitas alas sem a energia e espontaneidade esperadas. A evolução, embora sem grandes buracos, foi descrita como um pouco "morna", talvez pelo cansaço ou pelo peso de algumas fantasias, que, apesar de belíssimas, podem ter dificultado a empolgação dos desfilantes.

O samba-enredo, assinado por Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão, teve um bom andamento da bateria "Fora de Série", dos mestres Erick Castro e Daniel Silva. No entanto, a obra não conseguiu "pegar" totalmente na avenida, com refrões que, apesar de bem estruturados, não explodiram como o restante da melodia prometia, o que pode ter influenciado a interação do público e o canto da comunidade.

Uma Viagem pela "Brasiliana": Detalhes que Encantaram

  • Enredo Inovador: "Brasiliana" foi um enredo "fora da caixinha", claro e de fácil leitura, que explorou desde a formação do Grupo dos Novos nos terreiros da Baixada Fluminense até a afirmação da cultura popular afro-brasileira no mundo.
  • Fantasias de Impacto: Guilherme Estevão demonstrou maestria na paleta de cores, combinando os tons da escola com a temática do enredo. Vimos desde estampas afro e tons quentes no primeiro setor, passando por um festival de cores no frevo, até o verde de temas indígenas e a estética carnavalesca das baianas.
  • Alegorias Criativas: Os carros alegóricos fugiram do "caixotão", com mandalas em movimento no abre-alas que representava o batismo na Gomeia, um colorido cortejo de Maracatu no segundo carro, e a celebração do samba na última alegoria. Esculturas bem-feitas e capricho nos detalhes foram a tônica.

Destaques e Mensagens Importantes

A bateria "Fora de Série" desfilou com a fantasia "Ritos para um Rei Nagô", enquanto a rainha Luciana Picorelli brilhou como "Estrela dos Candomblés". O presidente Carlos Eduardo Freitas, o Dudu, aproveitou o momento para fazer um apelo ao poder público sobre as enchentes no Complexo do Amarelinho, em Acari, e emocionou ao relembrar o intérprete Gilsinho, falecido no ano anterior.

Apesar dos desafios nos quesitos de chão, a União do Parque Acari entregou um desfile com uma riqueza cultural imensa e uma mensagem poderosa, reafirmando seu compromisso com a arte e a história da cultura afro-brasileira no palco maior do Carnaval carioca. A escola mostrou que tem potencial para alçar voos ainda maiores e, quem sabe, brigar por um lugar no Grupo Especial em breve.

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