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Tijuca 2026: Carnaval vai revelar a Carolina Maria de Jesus que o Brasil esqueceu

Tijuca 2026: Carnaval vai revelar a Carolina Maria de Jesus que o Brasil esqueceu

Unidos da Tijuca Anuncia Enredo de Peso para 2026: Carolina Maria de Jesus!

Prepare o coração e os cadernos! A Unidos da Tijuca promete um Carnaval 2026 de arrepiar, com um enredo que vai muito além da folia: a escola da Zona Norte do Rio de Janeiro escolheu homenagear a grandiosa Carolina Maria de Jesus, uma das escritoras mais impactantes e, por vezes, subestimadas do Brasil.

A Escolha que Resgata uma Voz Essencial

A decisão do carnavalesco Edson Pereira em exaltar Carolina Maria de Jesus tem sido amplamente celebrada. Para a professora e pesquisadora Fernanda Felisberto, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a escolha não é apenas acertada, mas fundamental para reafirmar a existência e a obra de uma mulher que desafiou as adversidades para deixar um legado literário inestimável.

Um detalhe crucial, e muitas vezes ignorado, é o nome completo da homenageada. Felisberto faz questão de frisar: é Carolina Maria de Jesus, e não o inverso. "É preciso tatuar no imaginário popular o nome dela completo: Carolina Maria de Jesus. A palavra tem força", declara a pesquisadora, ressaltando a importância de fixar essa identidade para combater o apagamento histórico.

Quem Foi Carolina Maria de Jesus? Uma Luta por Reconhecimento

Nascida em Minas Gerais e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, Carolina Maria de Jesus emergiu de condições de extrema pobreza para se tornar uma voz singular na literatura. Sua obra mais famosa, "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada", lançada em 1960, foi um verdadeiro fenômeno. O livro, um diário íntimo de sua vida na favela, vendeu 10 mil cópias em apenas uma semana e ganhou o mundo, sendo traduzido para 13 idiomas.

No entanto, o contraste entre o sucesso estrondoso no exterior e a persistente invisibilidade de sua obra no próprio Brasil revela uma ferida profunda. "Como é possível o Brasil não conhecer essa mulher e, no exterior, ela estar traduzida para 13 idiomas? Bom, tem algum problema aí. A gente sabe qual é esse problema: o racismo", afirma Felisberto. A pesquisadora aponta que o racismo estrutural insiste em limitar Carolina apenas à narrativa da miséria, transformando "Quarto de Despejo" em uma "camisa de força" para a percepção de sua vasta produção.

O Desafio da Tijuca: Revelar a Multiplicidade de Carolina

O grande trunfo e desafio da Unidos da Tijuca será mostrar que Carolina Maria de Jesus é muito mais do que a autora de um único livro. Ela foi romancista, poeta, escreveu um livro de provérbios e até gravou um LP! O enredo de 2026 terá a missão de desvendar essas outras facetas, celebrando a diversidade literária e artística da escritora, e combatendo a visão reducionista que a aprisiona na imagem da "mulher negra só na narrativa da miserabilidade".

Para Felisberto, o desfile não pode esquecer de dois elementos essenciais: afeto e maternidade. "Olham para a Carolina o tempo todo como se ela fosse uma catadora de lixo que escrevia. Ela era uma escritora que catava lixo para sobreviver", pontua a pesquisadora, lembrando que o próprio "Quarto de Despejo" começa com a autora falando do aniversário da filha e do desejo de comprar um livro. Longe de ser um enredo de lamento, a Unidos da Tijuca tem a chance de mostrar a inventividade, a criatividade e as subjetividades que pulsam nas camadas populares, assim como na vida e obra de Carolina.

Inspiração para o Borel e Além

A escolha de Carolina Maria de Jesus ressoa de forma especial na comunidade do Borel, berço da Unidos da Tijuca. Fernanda Felisberto traça um paralelo emocionante: "Muitas mulheres no Borel têm cadernos guardados em casa, com histórias lindas para contar, mas talvez nem acreditem que o que escrevem é literatura. O projeto literário canônico sempre excluiu essas vozes." O desfile de 2026, ao dar voz e luz a Carolina, pode ter um efeito transformador, inspirando muitas a "abrir seus cadernos" e reconhecer o valor de suas próprias narrativas.

O Carnaval 2026 da Unidos da Tijuca promete ser um marco, não apenas pela beleza plástica, mas pela força de sua mensagem, convidando o público a mergulhar na vida e na obra de uma mulher que, com sua caneta, mudou o mundo.

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