nosso carnaval

Unidos de Padre Miguel reescreve a história de Clara Camarão no Carnaval 2025!

Unidos de Padre Miguel reescreve a história de Clara Camarão no Carnaval 2025!

Unidos de Padre Miguel Desvenda a Lenda de Clara Camarão na Sapucaí

A Unidos de Padre Miguel encantou a Sapucaí com um desfile que foi muito além do samba, apresentando o enredo "Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema", idealizado por Lucas Milato. A escola da Vila Vintém mergulhou em uma profunda celebração da história de Clara Camarão, uma heroína indígena potiguara que se tornou um poderoso símbolo da resistência feminina ao liderar batalhas vitoriosas contra as tropas holandesas.

Clara Camarão: A Heroína Além da História

O enredo da Unidos de Padre Miguel enfrentou um desafio histórico: a ausência de registros sobre a vida de Clara Camarão após a morte de seu marido, Felipe Camarão. Uma lacuna que, para a história oficial, parecia relegar sua importância à sombra de um homem. Mas a escola se recusou a aceitar essa perspectiva antiquada.

Com uma abordagem criativa e sensível, a Unidos de Padre Miguel propôs uma ficção poética: Clara não morreu, mas sim se transformou em uma entidade encantada, adentrando as profundezas das florestas e, assim, eternizando sua essência e luta. Essa "travessia" mística foi o fio condutor de todo o desfile, materializada através de uma sequência de fantasias e alegorias ricamente elaboradas, que guiaram o público por essa jornada de transformação.

A Travessia Mística: Do Sagrado à Natureza

O percurso da Unidos de Padre Miguel na avenida foi uma verdadeira imersão na narrativa de Clara Camarão, com cada elemento contando uma parte dessa saga:

  • A fantasia "Jurema Sagrada", vestida pelo estudante Danilo Salvatore, de 25 anos, simbolizou o início da transição de Clara para um ser encantado. Danilo ressaltou a conexão da fantasia com a árvore sagrada e a própria Unidos de Padre Miguel, que, para a comunidade da Vila Vintém, representa o que há de mais sagrado. Ele enfatizou o papel da escola em "ressuscitar" histórias apagadas, afirmando que Clara Camarão e seu povo merecem ser ouvidos e contados na história, como um povo de resistência.
  • A assistente social Beatriz Custódia, de 26 anos, desfilou com a fantasia "Pai do Mangue", um guia para a homenageada em sua jornada. Beatriz destacou a união e o senso de família que permeiam a escola, e a profunda conexão do enredo com a comunidade e a direção, composta majoritariamente por mulheres. Para ela, Clara Camarão resiste na própria escola, através de sua liderança feminina e da força da comunidade, que se mantém resiliente após desafios. Ela vê o enredo como uma forma de fazer justiça a uma mulher tão importante, trazendo à tona a resistência feminina e a luta contra a injustiça que mulheres, povos pretos e indígenas enfrentam, tudo isso de forma "carnavalizada" e alegre.
  • O motorista Julio Ribeiro, de 33 anos, representou "O Gritador", uma entidade temida da mitologia que anuncia a morte ou afasta intrusos de territórios sagrados, precedendo o carro da floresta. Julio expressou que a história do enredo, ao mostrar não apenas a parte indígena, mas também a morte e o renascer, é muito legal. Ele acredita que o medo, representado pelo Gritador, pode impulsionar a pessoa a ser mais capaz e a não viver na mesmice, mostrando que a vida tem ciclos de nascimento, crescimento e morte.
  • A terceira alegoria, que representou o encontro de Clara Camarão com a natureza, foi um momento de profunda conexão. O cabeleireiro e maquiador Júnior Oliveira, de 31 anos, destaque da escola, descreveu a sensação de estar no carro alegórico como "incrível", pois faz refletir sobre a importância da Floresta Amazônica e dos povos indígenas. Representando a "encantaria de toda pajelança" e a riqueza das terras, Júnior, que também é do Candomblé, sentiu uma energia inexplicável. Ele concluiu que, apesar das lutas, preconceitos e injustiças, a mensagem é que existe um lugar maravilhoso e iluminado para todos, e que a riqueza da terra de onde viemos é a essência que a escola busca transmitir.

A Unidos de Padre Miguel, com sua narrativa envolvente e a paixão de seus componentes, entregou um desfile que não apenas celebrou uma heroína esquecida, mas também ressaltou a importância da memória, da resistência cultural e da conexão com a natureza e o sagrado, deixando uma mensagem poderosa na avenida.

#UnidosDePadreMiguel #Carnaval #ClaraCamarão #SambaNaSapucaí #ResistênciaIndígena #Enredo

Mais acessadas no momento: