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Vigário Geral: Análise do desfile! Criatividade de sobra, mas o enredo convenceu?

Vigário Geral: Análise do desfile! Criatividade de sobra, mas o enredo convenceu?

Vigário Geral Ousa e Encanta com "Brasil Incógnito" na Sapucaí!

A Acadêmicos de Vigário Geral encerrou a primeira noite de desfiles da Série Ouro do Carnaval 2024 com uma proposta audaciosa e repleta de criatividade. Sob a batuta dos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, a escola apresentou o enredo "Brasil Incógnito – O Que Os Seus Olhos Não Veem, A Minha Imaginação Reinventa", um convite a uma viagem irreverente pela história do país, recontada sob a ótica dos seres mitológicos e monstros imaginados pelos colonizadores. Com uma estética visual marcante e a superação de desafios, a Vigário Geral buscou deixar sua assinatura na Avenida.

"Brasil Incógnito": Uma Sátira Histórica Repleta de Criatividade

O coração do desfile da Vigário Geral pulsava em seu enredo, que se propôs a transformar figuras fantásticas em verdadeiros heróis cômicos e críticos da nossa história. A narrativa foi dividida em três setores cativantes:

  • Primeiro Setor: Mergulho no imaginário marítimo, com a representação do encontro do invasor com o desconhecido nas águas do Atlântico, permeado por criaturas fantásticas.
  • Segundo Setor: A floresta brasileira e a invasão europeia, dialogando com um imaginário indígena distorcido, com a entrada de bandeirantes, clérigos e viajantes.
  • Terceiro Setor: A ressignificação desses "monstros" como símbolos da cultura brasileira, explorando os sertões com seus causos, visagens e assombrações, culminando na defesa da história do país através de suas criaturas imaginadas.

Apesar da ousadia e da riqueza conceitual, a tradução do enredo para as fantasias e alegorias, especialmente a partir da metade do desfile, não se mostrou totalmente clara para o público, gerando um pequeno desafio na leitura da narrativa na Avenida.

Alegorias e Fantasias: Um Espetáculo Visual de Superação

Mesmo após um incêndio no pré-carnaval, a Vigário Geral mostrou garra e entregou um conjunto alegórico de grande valor estético e criativo. As três alegorias foram um show à parte:

  • Abre-alas "Imponente Brasil Submerso": Primoroso e imponente, trouxe uma ode às assombrações do mar, com uma caravela metamorfa que dialogava com a fauna marinha, simbolizando o medo do desconhecido.
  • Segunda Alegoria "Quimérico Nativo": Retratou as florestas tropicais do Brasil de forma única, com uma profusão de árvores, orquídeas, cipós e a rica fauna de insetos e répteis.
  • Terceira Alegoria "Malassombro Sertanejo": Inspirada na literatura de cordel e nas obras de J. Borges, Leandro Gomes de Barros e outros, apresentou o Cramulhão como figura central, sintetizando os temores do sertão nordestino.

O conjunto estético das fantasias, assinado por Alex Carvalho e Caio Cidrini, também se destacou pelo uso de materiais alternativos e uma colorimetria inteligente, que evoluía dos tons de azul do mar para os dourados da floresta e as cores vivas da cultura sertaneja, incluindo a ala das baianas "Relatos Sertanistas" e a literatura de cordel na última ala.

Samba, Canto e Carro de Som: A Potência da Vigário

A força musical da Vigário Geral foi inegável. O samba-enredo, uma criação de Verônica dos Tambores e outros talentos, capturou perfeitamente o tom satírico e irreverente do enredo. Com uma pegada engraçada e alegre, a obra foi impulsionada pelo andamento escolhido pela bateria e pela direção musical. Os refrões "Se a canoa não virar…" e "Deixa o chão tremer…" foram momentos de grande destaque e empolgação.

No comando do carro de som, o "pequeno notável" Danilo Cezar, em seu terceiro desfile pela escola, deu um verdadeiro espetáculo. Com potência, afinação, correção e muita expressão, ele dominou a obra e entregou uma performance impecável. Contudo, a comunidade, em diversas alas, ficou abaixo no quesito canto, um ponto que pode ter impactado a avaliação.

Detalhes que Marcaram o Desfile

  • Comissão de Frente: A "Sátira do Pequeno Invasor", comandada por Handerson Big, trouxe uma ideia original e irreverente, com um português das grandes navegações interagindo com um globo terrestre. Apesar da criatividade, a iluminação cênica da Sapucaí prejudicou a visibilidade de momentos-chave da coreografia.
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira: O primeiro casal, Johny Matos e Isabela Moura, apresentou a "Dança das Marés" com uma coreografia intensa e muita força. Embora a porta-bandeira tenha demonstrado talento, a bandeira não ficou perfeitamente desfraldada em dois momentos do primeiro módulo de julgamento.
  • Evolução: A escola iniciou com muita energia e espontaneidade, brincando o Carnaval. No entanto, houve um espaçamento no segundo módulo de julgamento e uma breve parada nos últimos setores, o que pode ter sido notado pelos jurados.
  • Bateria "Swing Puro": De mestre Luygui Silva, desfilou com a fantasia "Visagens da mata", representando os seres sobrenaturais das florestas. A rainha Patrícia Souza homenageou os rituais antropofágicos, e os passistas, com a fantasia "Bicho-fera", representaram a onça-pintada.

A presidente Betinha fez questão de valorizar o trabalho de sua equipe, que demonstrou resiliência e superação diante dos desafios enfrentados. A Vigário Geral, com seu tempo de 55 minutos, encerrou a noite com uma apresentação que mesclou ousadia, arte e uma pitada de crítica, mostrando que o Carnaval também é espaço para a reflexão.

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