Vila Isabel: Baianas emocionam ao homenagear Tia Ciata, a Mãe do Samba!
O Giro Sagrado: Baianas Celebram a Tradição e a Força de Tia Ciata na Avenida!
No coração do espetáculo do Carnaval, as baianas não apenas desfilam; elas contam uma história, um legado que transcende o tempo e a folia. Em um emocionante tributo a Heitor dos Prazeres, uma agremiação trouxe à Marquês de Sapucaí a essência da ancestralidade e a memória daquelas que deram vida ao samba.
Tia Ciata: A Matriarca que Moldou o Samba
O foco central dessa celebração foi a lendária Tia Ciata, figura imponente na história do samba. Sua casa, um verdadeiro santuário cultural, foi o berço onde a fé, o encontro e a vibrante cultura negra floresceram. Foi nesse terreiro sagrado que o samba ganhou voz e forma, e onde Heitor dos Prazeres encontrou inspiração e reconhecimento.
A ala das baianas, carinhosamente chamada de "Mães de Santo, Mães do Samba, Mães Baianas", surgiu na avenida como guardiã desse tesouro cultural. A escolha do amarelo intenso nas fantasias não foi um acaso, mas uma homenagem direta a Oxum, orixá que guiava tanto Tia Ciata quanto Heitor dos Prazeres, selando uma conexão espiritual profunda.
O Significado por Trás de Cada Giro
Para Vera Lúcia Belandi, diretora da ala há 25 anos e com 78 de idade, o movimento das baianas é muito mais do que dança. "A imagem da Tia Ciata pra mim é ancestralidade, porque eu acho que o giro da baiana é a limpeza da avenida. Quando elas giram pra direita, elas vão limpando. Então é uma ala que não pode faltar no carnaval porque elas abrem e limpam os caminhos", explica com paixão. É um ato de purificação, de abertura de caminhos para a alegria e a tradição que se seguem.
Vozes que Mantêm o Legado Vivo
As integrantes da ala compartilham essa emoção e responsabilidade. Tânia Machado, 66 anos, aposentada, sentiu-se profundamente feliz em representar Oxum, destacando o compromisso das baianas em preservar a memória das matriarcas do samba. "Ela foi uma grande mulher, uma negra com personalidade fortíssima. Eu estou me sentindo muito feliz em estar representando o orixá dela que é Oxum", declarou.
Cátia Antunes, 48 anos, desfilando há 11, emocionou-se ao homenagear a pioneira das rodas de samba. "Tem toda a história de ser uma mulher negra. A gente sabe que tinha esse preconceito na época… uma mulher negra, pobre. Ela é tudo para gente. Acho que para qualquer sambista Tia Ciata é o máximo", afirmou. Cátia ainda revelou que vestir a saia de baiana era um sonho de infância, que se tornou realidade na avenida.
Ana Conegundes, costureira da ala há 18 anos, aos 61, expressou a honra de representar a Oxum de Tia Ciata. "É uma ancestral nossa, aquela que veio primeiro. É por ela que nós estamos aqui, por ela essa festa é a maior do mundo. Foi ela que defendeu o samba, que colocou nos quintais dela as pessoas que estavam iniciando no samba. Foi ela que colocou na rua os primeiros cortejos de carnaval. É uma responsabilidade e um prazer muito grande poder representá-la", disse Ana.
Assim, a ala das baianas não apenas desfilou, mas reafirmou o poder da tradição, da memória e da espiritualidade, mostrando que o legado de Tia Ciata e a força do samba continuam vivos e pulsantes a cada giro na passarela do samba.
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